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Por Agência Estado

Após morte no Carrefour, Bolsonaro diz ser daltônico: 'todos têm a mesma cor'

Para o presidente, quem prega conflitos e discórdia deve ir para o lixo.

Por Agência Estado

Foto: Marcos Correa / Agência Brasil

 

Um dia depois do brutal assassinato de um homem negro em Porto Alegre, o presidente Jair Bolsonaro postou uma série de mensagens no Twitter nas quais nega racismo no Brasil, diz que é "daltônico" por não ver cor de pele e em nenhum momento menciona o caso.

Para Bolsonaro, quem prega conflitos e discórdia deve ir para o "lixo".

A manifestação do presidente ocorreu na noite desta sexta-feira, 20, Dia da Consciência Negra, quando ele afirmou que os problemas do País vão além das questões raciais. "Não nos deixemos ser manipulados por grupos políticos.

Como homem e como Presidente, sou daltônico: todos têm a mesma cor.

Não existe uma cor de pele melhor do que as outras.

Existem homens bons e homens maus.

São nossas escolhas e valores que fazem a diferença", escreveu Bolsonaro.

"Aqueles que instigam o povo à discórdia, fabricando e promovendo conflitos, atentam não somente contra a nação, mas contra nossa própria história.

Quem prega isso está no lugar errado.

Seu lugar é no lixo". João Alberto Silveira Freitas, de 40 anos, foi agredido até a morte na noite desta quinta, 19, em uma loja da rede de supermercados Carrefour, na capital gaúcha.

Um dos agressores era segurança do local e o outro, um policial militar.

Os dois eram brancos. Bem antes de Bolsonaro, o vice-presidente Hamilton Mourão disse que o assassinato de Freitas não pode ser classificado como racismo.

"Digo com toda tranquilidade para você: não existe racismo no Brasil", afirmou Mourão. Nas redes sociais, Bolsonaro disse que o grande mal do Brasil é a corrupção.

"Estamos longe de ser perfeitos.

Temos, sim, os nossos problemas, esses muito mais complexos e que vão além das questões raciais.

O grande mal do país continua sendo a corrupção moral, política e econômica.

Os que negam este fato ajudam a perpetuá-lo", afirmou.

Logo depois, sem mencionar o crime que chocou o País, o presidente argumentou que não adianta dividir o sofrimento do povo brasileiro em grupos. "Problemas como o da violência são vivenciados por todos, de todas as formas, seja um pai ou uma mãe que perde o filho, seja um caso de violência doméstica, seja um morador de uma área dominada pelo crime organizado", observou ele. Nos tuítes, Bolsonaro tentou passar a ideia de que existem "interesses" para criar "tensões" no País e apelou para o discurso da união.

"Um povo unido é um povo soberano, um povo vulnerável é mais fácil de ser controlado.

E há quem se beneficie politicamente com a perda da nossa soberania", disse. A exemplo de Mourão, o presidente abordou a miscigenação de raças existente no Brasil e, ignorando os protestos pelo assassinato do homem negro, disse que tentam destruir a "essência desse povo" para colocar o ódio em seu lugar.

"Somos um povo miscigenado.

Brancos, negros, pardos e índios compõem o corpo e o espírito de um povo rico e maravilhoso.

Em uma única família brasileira podemos contemplar uma diversidade maior do que países inteiros", postou Bolsonaro. Nem mesmo em conversa com apoiadores no Palácio da Alvorada, na noite desta sexta-feira, 20, o presidente havia tratado do crime.

No Twitter, porém, ao elogiar os brasileiros, ele culpou adversários pelo que chamou de "divisão" do País.

"Foi a essência desse povo que conquistou a simpatia do mundo.

Contudo, há quem queira destruí-la, e colar em seu lugar conflito , o ressentimento, o ódio e a divisão entre classes, sempre mascarados de "luta por igualdade" ou "justiça social", tudo em busca do poder", afirmou. As mensagens de Bolsonaro dividiram seus seguidores nas redes sociais e muitos protestaram.

"Queria ver se fosse seu filho ou pai, (se) falaria isso.

Hipócrita!", reagiu um internauta.

"Perdeu a oportunidade de ficar calado", comentou outro.

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