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Por Agência Estado

Tese de 'cura' por cloroquina seduziu 18% dos brasileiros, revela pesquisa

Por Agência Estado

Em cada cinco brasileiros, um chegou a acreditar que a hidroxicloroquina seria a "cura" para a covid-19, segundo revela pesquisa de opinião sobre os mitos da pandemia, feita pelo instituto Ipsos em 16 países.

Embora nenhum estudo com rigor científico apontasse a eficácia do medicamento, ele foi promovido como solução para a crise pelo presidente Jair Bolsonaro - e a tese foi abraçada e amplificada por sua base de apoio nas redes sociais.

O resultado é que, na pesquisa, 18% dos entrevistados no Brasil qualificaram como verdadeira a frase "Existe uma cura para covid-19 e ela se chama hidroxicloroquina", enquanto 57% a consideraram falsa.

Um quarto da amostra não soube responder. No ranking da desinformação sobre o tema, os brasileiros só ficaram atrás dos indianos nos 16 países onde o Ipsos fez as mesmas perguntas.

Na média desses países, apenas 11% dos entrevistados compraram a ideia de que o medicamento traria a cura. Na Índia, essa taxa chegou a 37% - o dobro do Brasil.

Também lá o governo promoveu a tese de que a hidroxicloroquina ou a cloroquina seriam a solução.

Nos Estados Unidos, onde ocorreu o mesmo, 12% acreditaram na eficácia da droga.

Já no Reino Unido foram apenas 2%. A Organização Mundial da Saúde (OMS) chegou a testar a cloroquina em pacientes de covid-19, mas suspendeu as pesquisas no final de maio e em definitivo na metade de junho, após não constatar redução de mortalidade.

O medicamento, que nunca foi encarado por médicos e cientistas como cura para covid-19, mas apenas como possível tratamento auxiliar, pode provocar efeitos colaterais graves. No Brasil, a cloroquina esteve no centro de ondas de desinformação sobre covid-19 nas redes sociais - diversos rumores e teorias conspiratórias foram desmentidos pelo Estadão Verifica, desde o início da pandemia.

Uma das checagens, realizada em parceria com outros veículos do Projeto Comprova, envolvia a falsa acusação de que um grupo de pesquisadores brasileiros teria aplicado uma dosagem letal de cloroquina em pacientes com covid-19 para causar descrédito sobre o medicamento no tratamento contra a doença.

Entre outros mitos avaliados pela pesquisa Ipsos está o de que a exposição ao sol ou a altas temperaturas previne covid-19.

Nesse caso, 22% dos brasileiros entrevistados apontaram a alegação como correta.

O boato de que comer alho é uma defesa contra o coronavírus foi encarado como verdadeiro por 7% no Brasil. O Ipsos fez a pesquisa no final de maio, e a partir desta segunda-feira (29) a distribui entre seus clientes.

Foram entrevistadas mil pessoas em cada um dos 16 países participantes.

A margem de erro é de 3,5 pontos porcentuais.

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