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Por Agência Estado

Chocolate sustentável do sul da Bahia quer ganhar o mundo

O prêmio é de 70% a 160% acima do valor do preço da commodity na Bolsa, diz o executivo

Por Agência Estado

Quando comprou um terreno no sul da Bahia em 2006, o empresário Guilherme Leal, um dos fundadores da empresa de cosméticos Natura, buscava sombra e água fresca para descansar.

Mas o lazer foi cedendo espaço para um dos maiores projetos de revitalização da cultura cacaueira da região. Leal se envolveu com a comunidade local e começou a desenvolver a Dengo, fabricante de chocolates finos produzidos a partir do cacau orgânico cultivado em plena Mata Atlântica.

A pequena rede de lojas de Leal é hoje umas das principais referências de sustentabilidade da cadeia produtiva até o consumidor final. "A origem da Dengo foi um projeto socioambiental.

A pergunta que me fiz logo no início foi como eu poderia lidar com os desafios educacionais da região, que eram complexos, e como transformar a cadeia do cacau na região", conta o empresário, uma das principais referências para os debates sobre sustentabilidade no País.

"Daí que surge a Dengo.

Começamos a estudar o mercado para oferecer cacau fino, de origem, e que fosse adquirido não de nossa fazenda, mas de uma rede de pequenos e médios produtores que seriam estimulados a cuidar melhor do seu cacau." Ao comprar uma antiga fazenda de cacau em Ilhéus, em 2012, Leal já tinha na cabeça o desenho para Dengo.

O empresário chamou o executivo Estevam Sartoreli, que trabalhou com ele por 12 anos na Natura, para comandar a empresa, que inaugurou a primeira loja em junho de 2017 - hoje são 18 unidades no País.

Os planos são ambiciosos: crescer no Brasil e tornar a marca conhecida no exterior. De posse da fazenda, a equipe do empresário começou a fomentar na região o plantio de cacau por sistema de cabruca (plantado às sombras de árvores da Mata Atlântica).

Por meio do Instituto Arapyaú, braço filantrópico de sua gestora de investimento, a equipe desenvolveu o Programa de Desenvolvimento Territorial do Sul da Bahia, que atua como uma rede de apoio à produção da matéria-prima em seis municípios da região: Canavieiras, Ilhéus, Itabuna, Itacaré, Una, Uruçuca.

A ideia é estender o programa para os 26 municípios que abrangem a Costa do Cacau, explica Ricardo Gomes, responsável pelo programa. O instituto também incentivou a criação do Centro de Inovação do Cacau, na Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), entre Ilhéus e Itabuna (BA), em 2017.

A iniciativa ajudou a revitalizar a produção de cacau da região, afetada pelo fungo vassoura de bruxa.

Para manter a rede de produtores, a Dengo paga um prêmio pela matéria-prima de qualidade.

"Começamos com seis produtores - hoje são 200", diz Sartoreli, presidente da Dengo.

"Pagamos pela qualidade da amêndoa, por ser orgânico e pelo cacau varietal.

O prêmio é de 70% a 160% acima do valor do preço da commodity na Bolsa", diz o executivo. As informações são do jornal O Estado de S.

Paulo.

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