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Você sabe por que as frutas são coloridas?

Coluna Papo Verde com Dani Fumachi

Por Redação

Por Dani Fumachi

Quando foi a última vez que você escolheu uma fruta pela cor?

Talvez tenha sido hoje mesmo. Na feira ou no supermercado, procuramos a manga mais amarela, o morango mais vermelho, a jabuticaba mais escura e o mamão com a casca já alaranjada. Fazemos isso sem pensar muito, porque aprendemos a reconhecer na aparência os sinais de que uma fruta está madura.

Mas por que as frutas mudam de cor?

Em muitos frutos carnosos, a resposta está na relação entre as plantas e os animais. A cor funciona como um aviso de que o fruto amadureceu e suas sementes já estão prontas para ser transportadas.

Antes do amadurecimento, o fruto costuma ser verde, duro e pouco atraente. Essa aparência ajuda a escondê-lo entre as folhas e reduz as chances de ele ser comido cedo demais, quando as sementes ainda não estão completamente desenvolvidas.

Conforme amadurece, a quantidade de clorofila diminui e outros pigmentos se tornam visíveis. Surgem então os tons de amarelo, vermelho, laranja, roxo ou preto. Ao mesmo tempo, a polpa fica mais macia, o sabor menos ácido, a concentração de açúcares aumenta e o aroma se torna mais forte.

É como se a planta retirasse uma placa de “não mexa” e colocasse outra dizendo: “agora pode comer”.

Essa mudança não surgiu para agradar aos seres humanos. Ela começou muito antes de existirem feiras, mercados ou pomares. As plantas precisavam resolver um problema bastante prático: como levar suas sementes para longe se não podem sair do lugar?

A solução foi oferecer alimento em troca de transporte.

Uma ave encontra um fruto vermelho entre as folhas, come a polpa e segue voando. Um macaco se alimenta em uma árvore e depois atravessa outra parte da mata. Uma anta engole frutos inteiros enquanto percorre grandes distâncias. Mais tarde, as sementes são eliminadas longe da planta que as produziu.

Para a planta, essa viagem é valiosa. Se todas as sementes caíssem exatamente aos seus pés, as novas mudas teriam de disputar espaço, água, luz e nutrientes com a própria planta-mãe. Ao serem carregadas para outros lugares, aumentam as chances de encontrar condições favoráveis para germinar.

A cor, portanto, funciona como uma sinalização biológica. Ela ajuda o fruto maduro a se destacar no meio da vegetação e a ser encontrado pelos animais capazes de dispersar suas sementes.

Só que nem todas as frutas anunciam o amadurecimento da mesma maneira. Algumas investem em cores fortes, especialmente quando dependem de animais guiados pela visão, como muitas aves. Outras produzem cheiros intensos, que podem ser percebidos por mamíferos durante a noite ou no meio da vegetação fechada.

Os morcegos frugívoros, por exemplo, não escolhem seus alimentos da mesma forma que uma ave diurna. Para eles, o odor e a localização do fruto podem ser mais importantes do que uma casca brilhante. Já um pássaro voando sobre a copa das árvores consegue localizar pequenos pontos vermelhos, roxos ou escuros contrastando com o verde das folhas.

Isso também explica por que alguns frutos parecem discretos para nós, mas são encontrados rapidamente por determinados animais. Cada espécie percebe o ambiente de uma maneira própria. A floresta que enxergamos não é exatamente a mesma percebida por uma ave, um morcego ou um macaco.

Os seres humanos entraram nessa história muito mais tarde. Com a agricultura, passamos a selecionar e cultivar frutos maiores, mais doces, mais carnudos e visualmente atraentes. Por isso, muitas das frutas que encontramos hoje são bastante diferentes de seus ancestrais silvestres.

Apesar dessas mudanças, ainda reagimos aos mesmos sinais de amadurecimento. Quando escolhemos a manga mais amarela, o morango mais vermelho ou a jabuticaba mais escura, fazemos uma leitura parecida com a de tantos animais que procuram alimento na natureza.

A diferença é que, para nós, a viagem geralmente termina na fruteira ou na mesa. Na floresta, ela pode terminar muito mais longe, quando a semente deixada por uma ave, uma anta ou um morcego encontra um novo lugar para germinar.

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