“Você não está sozinha”, afirma Leila Bedani ao falar sobre desafios e conquistas das mulheres
Foto: Arquivo Pessoal
A vereadora Leila Bedani (PSD) concedeu entrevista ao Jornal de Itatiba em alusão ao Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março. Com atuação voltada a pautas sociais e à defesa das mulheres, a parlamentar falou sobre sua trajetória pública, os avanços de Itatiba nas políticas voltadas ao público feminino e os desafios que ainda precisam ser enfrentados para fortalecer a rede de proteção e ampliar a participação feminina na política.
Ao longo de sua atuação, Leila tem participado da construção de projetos voltados ao enfrentamento da violência, ao fortalecimento de redes de apoio e ao incentivo à autonomia feminina. Na entrevista, ela também destacou iniciativas importantes implantadas no município, como a Casa Rosa da Mulher e a articulação da rede de enfrentamento à violência. Confira a entrevista:
JI: O que o Dia Internacional da Mulher simboliza para a senhora dentro da sua trajetória pública e pessoal?
LEILA: 8 de Março é memória e compromisso. Memória de tudo que as mulheres tiveram que atravessar para conquistar o básico: respeito, voz e autonomia. E compromisso porque ainda tem muita desigualdade “disfarçada de normal”. Na vida pessoal, me lembra das mulheres da minha família e das mulheres que eu encontro todo dia nas ruas: mães solo, trabalhadoras, empreendedoras, cuidadoras… gente forte, mas que não deveria precisar ser forte o tempo todo. Na vida pública, é um chamado: política tem que servir pra proteger, abrir caminho e garantir dignidade.
JI: Na sua avaliação, quais são hoje as principais demandas das mulheres itatibenses que precisam avançar em políticas públicas?
LEILA: Itatiba avançou muito na causa da mulher. Temos muitos projetos importantes que não ficam só no papel. Eles se transformam em ação. Mas ainda é fundamental destacar que, embora existam várias frentes atuando com a mulher na saúde, na assistência social e em outras áreas, precisamos colocar energia na continuidade: continuidade dos bons projetos e, principalmente, continuidade do atendimento à vítima de violência.
A mulher que sofre violência precisa ser acolhida e acompanhada de forma efetiva. Independentemente da porta de entrada — Polícia Militar, Guarda Municipal, assistência social ou qualquer outro serviço — esse atendimento precisa ter sequência, sem interrupções e sem a mulher ficar “pulando” de um lugar para outro.
E mais: é preciso reforçar o atendimento à família, porque essa violência se estende também às crianças. Quando se fala de proteção à mulher, fala-se dos filhos e de toda a família no seu contexto, que sofre junto. Além disso, há urgências muito claras: resposta rápida, acolhimento real para quem sofre e fortalecimento da rede pública e da rede de proteção. E, junto disso, o cuidado integral com a saúde da mulher, além de políticas de emprego, renda e capacitação, que precisam caminhar junto com as demais ações. Por fim, é essencial ampliar e fortalecer os projetos já implantados no município, para que cheguem a mais pessoas e tenham cada vez mais efetividade.
JI: A senhora tem se destacado na defesa das causas femininas. Quais ações ou projetos considera mais importantes nesse trabalho?
LEILA: Nós avançamos muito nas causas das mulheres, e ainda há muito o que fazer. O mais importante é que a gente saiu do discurso e virou ação. Hoje, eu posso comemorar projetos que se consolidaram e viraram política pública, porque é isso que garante continuidade — não só fazer um evento, mas criar mecanismos que sustentem os projetos importantes ao longo do tempo.
Com todos esses avanços, conseguimos também a reativação do Conselho da Mulher, que estava parado há anos. E realizamos ações práticas e efetivas, como o curso de Defesa Pessoal para mulheres. A mulher precisa entender que nem tudo é força: existem técnicas que podem ajudar a se proteger e a sair de situações de risco, como tentativas de violência, assalto ou outras formas de agressão.
Outro projeto que eu considero essencial é a Casa Rosa da Mulher. Foi um trabalho extenso até se tornar realidade e, no ano que vem, completa cinco anos. E eu faço questão de dizer: é uma conquista construída com uma rede maravilhosa de voluntários. Preciso agradecer o apoio que tivemos do prefeito na implantação e, principalmente, a equipe extraordinária da Casa Rosa, que atua manhã, tarde e noite, na linha de frente do atendimento às situações de violência. O trabalho voluntário e o comprometimento dessas pessoas é realmente de tirar o chapéu.
Mas, além disso, eu tenho muito orgulho de um dos avanços mais importantes já implantados: a Rede de Apoio e Enfrentamento à Violência, que integra várias frentes tanto do poder público quanto da sociedade civil. Esse trabalho conjunto trouxe mais agilidade e mais eficiência na resolução de casos para a população.
JI: Como o município pode fortalecer a rede de proteção às mulheres, especialmente nos casos de violência doméstica?
LEILA: A rede de proteção, na prática, funciona como uma rede de apoio dentro da própria família. Quando a gente precisa de ajuda, quem tem filho sabe: busca a mãe, a tia, alguém de confiança. No município é a mesma lógica, só que organizada entre os serviços públicos.
Para fortalecer essa rede, o município precisa garantir que os departamentos trabalhem de forma integrada, com atendimento integral: Saúde, Assistência Social, Segurança e Educação. Itatiba já tem um fluxo de atendimento mais claro — quem atende, para onde encaminha e como acompanha — e também a cartilha, que eu tenho orgulho de dizer que implantamos no município com apoio do Poder Executivo e de outros órgãos.
Mas fortalecer a rede exige três pilares: continuidade, humanização e capacitação permanente. Diariamente é necessário investir em cursos e treinamentos para quem está na linha de frente, desde a auxiliar de limpeza até a direção da escola. Todo mundo precisa saber acolher, identificar sinais, orientar e encaminhar corretamente uma vítima de violência. Não basta atender; é preciso dar sequência ao atendimento.
JI: A participação feminina na política ainda enfrenta desafios. O que precisa mudar para que mais mulheres ocupem espaços de decisão?
LEILA: A participação feminina na política ainda enfrenta desafios porque precisa mudar a cultura e a estrutura. Ainda existe, sim, a ideia de que política “não é lugar de mulher”. E quando a mulher entra, ela costuma enfrentar um julgamento maior, ataques pessoais e uma cobrança dobrada.
Então essa mudança passa por alguns pontos bem diretos: partidos abrirem espaço de verdade, não só cumprir tabela; formação e incentivo para novas lideranças femininas, desde cedo, com preparo, orientação e apoio; e combate real à violência política de gênero, com responsabilização e proteção para quem ocupa cargo público.
Eu também percebo que muitas mulheres ainda ficam receosas de entrar na política, e eu entendo isso, mas é extremamente necessário que a mulher esteja dentro desses espaços. É ali, no lugar de decisão, que a gente muda a história. E faço questão de enfatizar: o papel dos homens também é fundamental. Essa transformação é coletiva.
JI: Que mensagem a senhora deixa às mulheres de Itatiba neste 8 de Março, especialmente àquelas que enfrentam dificuldades e buscam mais oportunidades?
LEILA: Eu quero dizer uma coisa bem direta: você não está sozinha. Se você está cansada, sobrecarregada, com medo ou tentando recomeçar — eu te vejo. E eu te respeito. Neste 8 de Março, eu desejo que cada mulher de Itatiba se lembre de duas verdades: você merece viver com segurança, dignidade e liberdade; e você merece oportunidade de crescer sem pedir desculpas por existir. E para quem está enfrentando violência ou qualquer tipo de abuso: procure ajuda, fale com alguém de confiança, busque a rede. A cidade precisa ser um lugar onde a mulher não apenas sobrevive — a mulher prospera.