Vini Oliveira é o primeiro vereador cassado por Comissão Processante em Campinas
Foto: Kevin Kamada/CBN Campinas
Filiado ao Cidadania, Vini Oliveira é o primeiro vereador a permanecer no cargo até o término de uma Comissão Processante e perder o mandato em uma cassação.
Na votação sobre a infração por quebra de decoro parlamentar, realizada nesta quarta-feira (9), foram 23 votos a favor, 5 contrários e uma abstenção.
O relatório do vereador Otto Alejandro (PL) apontou que a conduta de Vini Oliveira, ao visitar uma empresa de transportes que era uma das vencedoras da licitação do transporte coletivo, excedeu os limites da atuação parlamentar.
Vini Oliveira se tornou alvo do pedido de Comissão Processante protocolado pela vereadora Mariana Conti (PSOL), que questionou o objetivo da visita à empresa, e qual seria o conteúdo de caixas e malotes que ele e um assessor levavam na saída da reunião. A movimentação foi gravada pelo circuito interno de segurança.
A cassação foi apoiada por nove vereadores que discursam durante a sessão de julgamento. Para Gustavo Petta (PCdoB), Vini insistiu em um tipo de conduta que já teria levado à sua cassação em outros episódios.
O líder de Governo na Câmara, Paulo Haddad (PSD), disse que outros vereadores tentaram orientar Vini Oliveira, mas que o parlamentar insistiu em exceder a prerrogativa de fiscalizar.
Declaração inesperada
Já com o resultado anunciado, Vini Oliveira usou os microfones para acusar o relator da Comissão Processante, Otto Alejandro, de negociar um suposto pedido de propina.
Otto rebate
Otto Alejandro rebateu todas as acusações e classificou a fala de Vini como uma “medida desesperada”.
Defesa vê fragilidade da CP
O advogado Haroldo Cardella conversou com a imprensa, e disse que o processo tem fragilidades no conjunto de provas.
“Perseguição política”
Vini Oliveira também se pronunciou pela primeira vez desde o início da CP. O vereador cassado alegou ser vítima de perseguição política e voltou a fazer acusações contra colegas de casa.
Citados reagem
Nelson Hossri conversou com a CBN Campinas e afirmou que a fala de Vini Oliveira é causada pelo nervosismo e desespero do momento. Entretanto, afirmou que acusar os outros não apaga os próprios atos nem transforma acusação em prova.
Já Higor Diego negou ter atuado em favor de interesses privados para acelerar a implantação das novas operadoras, e disse ter proposto que o tema, de amplo interesse público, fosse tratado no ambiente institucional, com transparência e debate público na Frente Parlamentar.
Inelegível
Cassado pela Câmara, Vini Oliveira se torna inelegível e impedido de eventualmente assumir um cargo de deputado estadual, pelo qual ainda concorre nas eleições.
A condição foi explicada pelo presidente da Comissão de Direito Eleitoral da OAB Campinas, Valdemir dos Reis Júnior.
A Câmara de Campinas tem até cinco dias para confirmar o nome do substituto: será o primeiro suplente da Federação PSDB-Cidadania, mas o nome ainda não foi confirmado pelo Legislativo.
* com informações da Rádio CBN Campinas