Vacinação contra o sarampo não atinge meta de imunização nacional
Aumento da doença em países vizinhos exige vigilância epidemiológica ativa para que não haja surto da doença no Brasil
Foto: Irina Starikova/ iStock
O sarampo voltou a exigir atenção das autoridades de saúde brasileiras, após países vizinhos atingirem surtos da doença. Apesar do Brasil ter tido a melhor taxa de vacinação contra o sarampo desde 2016, a meta de aplicar duas doses da vacina em 95% das crianças menores de 2 anos não foi alcançada em nenhum estado do país.
A primeira dose entrega imunidade de até 96% contra a doença, já as duas doses protegem acima de 97%. A adesão da campanha da vacinação tríplice viral (contra sarampo, caxumba e rubéola) está abaixo dos 80%.
Até o início de outubro, haviam 41 infectados pela doença no estado de São Paulo. Foram contabilizados 37 casos na capital, dois em São Bernardo do Campo, um em Guarulhos e um em Santo André
Quais são os sintomas do sarampo e como a doença se transmite?
O sarampo é uma doença infecciosa altamente contagiosa. Entre os principais sintomas estão:
· febre alta;
· manchas vermelhas no corpo;
· tosse seca;
· coriza;
· olhos irritados e avermelhados;
· manchas de Koplik na mucosa da boca.
O vírus é transmitido de uma pessoa para outra pelo ar, por meio de tosse, espirro, fala ou respiração. O período de transmissão normalmente começa até seis dias antes do surgimento das manchas e pode se estender por quatro dias depois.
O que é bloqueio vacinal e como ele funciona?
O bloqueio vacinal é utilizado diante de casos suspeitos ou confirmados para aumentar rapidamente a proteção entre as pessoas que tiveram contato com o paciente e, assim, reduzir as possibilidades de transmissão.
Preferencialmente, a vacinação dos contatos deve ocorrer em até 72 horas após a notificação do caso. Antes disso, os profissionais avaliam a carteira ou caderneta de vacinação para identificar quem já está protegido e quem precisa receber uma dose.
O que fazer em caso de suspeita de sarampo?
Diante de febre alta, manchas vermelhas e sintomas respiratórios, a orientação é procurar um serviço de saúde. Em locais com circulação do vírus, também é importante verificar a situação vacinal e evitar ambientes com aglomeração enquanto houver suspeita da doença.
Informar à equipe de saúde sobre possíveis contatos com pessoas infectadas ou viagens recentes também contribui para a investigação. A partir dessas informações, os profissionais podem avaliar a necessidade de exames e de medidas para evitar novas transmissões.
Diagnóstico
O diagnóstico do sarampo pode partir da avaliação dos sintomas, mas a confirmação laboratorial é considerada o padrão-ouro. Para isso, podem ser feitos exames de sangue, que identificam anticorpos contra o vírus, e testes de biologia molecular, como o RT-PCR (Reação em Cadeia da Polimerase com Transcrição Reversa), capazes de detectar o material genético do agente infeccioso.
Esse tipo de avaliação faz parte da formação dos profissionais de saúde. Na faculdade de medicina, por exemplo, os estudantes aprendem a relacionar sinais e sintomas com diferentes hipóteses diagnósticas e a selecionar os exames adequados para investigá-las.
No caso do sarampo, a coleta deve ser realizada já no primeiro contato com o paciente. A primeira amostra de sangue pode ser obtida entre o primeiro e o 30º dia após o surgimento das manchas.
Já as amostras de secreção nasofaríngea, orofaríngea e urina para o RT-PCR devem ser coletadas, preferencialmente, até o sétimo dia após o início do exantema.