Suplementos alimentares: vendas disparam no público 50+
Busca por longevidade, autonomia e massa muscular impulsiona o consumo entre pessoas acima de 50 anos e muda o perfil do mercado de nutrição
Foto: iStock/ Iuliia Zavalishina
O mercado de suplementos alimentares passa por uma transformação impulsionada pela mudança no comportamento do público acima de 50 anos. Produtos antes associados principalmente ao universo esportivo passaram a despertar interesse entre pessoas que buscam envelhecer com mais disposição, preservar a autonomia e manter uma rotina ativa.
A tendência está relacionada ao crescimento da preocupação com prevenção e qualidade de vida. No Brasil, o mercado de suplementos registrou crescimento expressivo nos últimos anos, impulsionado também pela busca por saúde e longevidade. Dados divulgados pelo setor apontam crescimento de 15% em 2025, com faturamento estimado em R$ 7,6 bilhões.
Entre os produtos que ganharam espaço está a creatina. Conhecida há décadas por quem pratica musculação, ela passou a ser estudada também no contexto do envelhecimento. Pesquisas indicam que, quando associada ao treinamento de resistência, a substância pode contribuir para ganhos de força e massa muscular em pessoas mais velhas.
Envelhecimento ativo e a defesa da massa muscular
O interesse crescente tem relação direta com uma transformação natural do organismo: com o avanço da idade, ocorre uma redução gradual de massa muscular. Quando esse processo se torna mais acentuado, pode caracterizar a sarcopenia, condição associada à perda de capacidade funcional e maior dificuldade para realizar atividades cotidianas.
É aqui que a nutrição na terceira idade ganha importância. Uma alimentação adequada, com ingestão suficiente de proteínas e outros nutrientes, ajuda a fornecer ao organismo os recursos necessários para preservar os tecidos musculares. A prática regular de exercícios, especialmente atividades de força, também é fundamental para estimular a musculatura.
É justamente a combinação desses fatores que explica parte do interesse pelos suplementos. A creatina, por exemplo, participa do fornecimento rápido de energia aos músculos e pode potencializar a resposta ao treinamento.
Uma meta-análise publicada na European Review of Aging and Physical Activity, envolvendo pessoas com 55 anos ou mais, encontrou melhora de força em participantes que combinaram creatina e exercício, reforçando que o suplemento deve ser entendido como complemento e não substituto da atividade física.
Esse movimento acompanha a busca por envelhecimento ativo, conceito que prioriza independência, mobilidade e participação social ao longo da vida. Assim, a saúde madura passa a envolver também estratégias para preservar a capacidade funcional.
A importância do acompanhamento profissional
O aumento do consumo não significa que qualquer suplemento seja adequado para todas as pessoas. Necessidades nutricionais variam conforme alimentação, nível de atividade física, condições de saúde, uso de medicamentos e outros fatores individuais.
A escolha de produtos deve ser feita com orientação de um médico ou nutricionista. Essa avaliação é especialmente importante para quem possui doenças crônicas ou alterações relacionadas à função renal. Idosos devem buscar avaliação profissional antes de iniciar o uso de creatina ou qualquer outro suplemento.
Assim eles serão capazes de definir a melhor creatina com base em uma avaliação individual. O produto mais adequado depende do objetivo e das características de cada pessoa, levando em consideração uma série de fatores individualizados.
A expansão dos suplementos alimentares entre o público 50+ revela uma mudança de prioridades: os consumidores maduros estão cada vez mais interessados em preservar força, mobilidade e independência.
Quando integrada a uma alimentação equilibrada, à prática de exercícios e ao acompanhamento profissional, a suplementação pode fazer parte de uma estratégia responsável de longevidade e bem-estar.