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Por Redação

Setembro Verde reforça importância da doação de órgãos diante de fila de 49 mil pessoas

Recusa familiar ainda ocorre em cerca de 45% dos casos; entre as crianças, dificuldade para encontrar órgãos compatíveis torna espera ainda mais delicada

Por Redação

Foto: Luiza Yasumoto/Hospital Pequeno Príncipe

Mais de 49 mil pessoas aguardam por um transplante no Brasil e cerca de três mil morrem todos os anos antes de receber um órgão, segundo dados do Ministério da Saúde. Neste mês, a campanha Setembro Verde chama a atenção para essa realidade e reforça a importância de as pessoas manifestarem aos familiares o desejo de serem doadoras.

Entre as crianças, o cenário exige atenção especial. Dados do Registro Brasileiro de Transplantes (RBT) mostram que o país realizou 586 transplantes de órgãos pediátricos em 2025. No mesmo período, porém, 50 crianças morreram enquanto aguardavam na fila. O número de doadores pediátricos também apresentou redução nos últimos anos, passando de 274, em 2023, para 211 em 2025.

Um dos principais obstáculos para aumentar o número de transplantes continua sendo a recusa familiar. Em aproximadamente 45% dos casos, a doação não é autorizada. No Brasil, a retirada de órgãos de uma pessoa falecida depende da autorização da família, razão pela qual especialistas destacam a importância de conversar previamente sobre o assunto.

“Famílias que já conversaram sobre o assunto tendem a autorizar a doação com mais tranquilidade e segurança. Quando a população é bem informada, tendo suas dúvidas e mitos esclarecidos antes de um momento tão difícil, o número de recusas cai e, consequentemente, mais transplantes podem ser realizados”, explica Fábio Navarro, cirurgião responsável pelo Serviço de Transplante Cardíaco do Hospital Pequeno Príncipe.

Transplantes pediátricos têm desafio adicional

Segundo o Ministério da Saúde, um único doador pode salvar até oito vidas. No caso dos pacientes pediátricos, entretanto, existe uma dificuldade adicional: além dos demais critérios de compatibilidade, é necessário encontrar órgãos adequados ao tamanho do receptor.

“Órgãos infantis costumam ser compatíveis, em geral, com receptores de tamanho semelhante, o que significa que o número de doadores possíveis é bem menor. Isso faz com que crianças, na maioria das vezes, esperem mais tempo na fila por um órgão de tamanho adequado”, afirma Navarro.

Para uma criança, cada período de espera também pode representar uma parcela importante de seu desenvolvimento. “Um transplante pode significar a diferença entre continuar hospitalizada e voltar a ter uma infância normal, ir à escola, brincar e crescer com mais saúde. Para a família, é o fim de uma angústia diária e o início de uma nova fase marcada por alegria e gratidão”, destaca o especialista.

Isabela ganhou uma nova chance

A história de Isabela (foto), de 11 meses, exemplifica o impacto da doação. Ainda durante a gestação, uma alteração identificada em exame levou os médicos a investigarem a possibilidade de um tumor. Com apenas um dia de vida, a menina foi encaminhada ao Hospital Pequeno Príncipe.

Depois de 30 dias na UTI Neonatal e uma série de exames, veio o diagnóstico: Isabela apresentava um fibroma cardíaco inoperável. Diante do quadro, a única alternativa de tratamento era um transplante de coração.

“Em um primeiro momento, foi um susto. Quando fui me aprofundar, passei a entender o que era o transplante e que teríamos que ficar na fila para encontrarmos um doador”, conta a mãe, Caroline Antônia da Silva de Paula.

Após três meses de espera, surgiu um coração compatível. “Não achei que fosse chegar tão rápido. Foi uma felicidade gigante. Após o transplante, posso ver que minha filha está mais ativa. Hoje, ela vive”, relata Caroline.

Para a mãe, a experiência reforçou o significado da decisão tomada por outra família em um momento de perda. “A doação de órgãos é um ato de amor, de esperança e de empatia com o próximo. Hoje, saio com a minha filha com vida. Minha Isabela terá um futuro”, afirma.

Referência em transplantes pediátricos

Há 37 anos, o Hospital Pequeno Príncipe realiza transplantes de órgãos e tecidos pediátricos. Somente em 2025 foram 308 procedimentos, sendo 44 transplantes de órgãos sólidos — coração, rim e fígado —, 34 de válvula cardíaca, 163 de tecido ósseo e 67 de medula óssea.

Em 2026, até julho, a instituição já havia realizado outros 194 transplantes, mantendo-se como um dos centros de referência do país.

Durante o Setembro Verde, especialistas reforçam que uma das atitudes mais importantes para quem deseja ser doador é comunicar essa vontade à família. “Quanto mais se fala em doação de órgãos, mais vidas podem ser salvas”, conclui Navarro.

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