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Por Thomas

Retrospectiva Ambiental 2025

Coluna Papo Verde com Dani Fumachi

Por Thomas

O ano de 2025 foi uma espécie de montanha-russa ambiental, com momentos de expectativa, quedas abruptas e a sensação de que o percurso já estava em movimento antes mesmo de alguém apertar o botão de início. Não foi um ano de surpresas, mas de confirmações. Alertas científicos antigos deixaram de ser projeções distantes e passaram a fazer parte da rotina, do noticiário às políticas públicas, da economia à vida cotidiana.

Ao longo do ano, mudanças climáticas, perda de biodiversidade e poluição deixaram de ser tratadas como problemas isolados da natureza e passaram a ser reconhecidas como crises que atravessam saúde, segurança alimentar, acesso à água, moradia e desigualdades sociais. Tornou-se mais evidente que seus impactos não se distribuem de forma homogênea, atingindo com mais força populações com menor capacidade de adaptação.

No campo climático, 2025 consolidou a evidência de que o aquecimento global ultrapassou de forma recorrente o patamar de 1,5 °C em relação aos níveis pré-industriais. Pesquisadores avaliaram que, mantidas as políticas atuais, limitar o aquecimento a esse nível tornou-se improvável, com projeções em torno de 2,5 °C até o fim do século. Ondas de calor prolongadas, secas severas e chuvas intensas foram registradas em diferentes continentes, afetando saúde pública, produção de alimentos e infraestrutura urbana. Estudos publicados ao longo do ano reforçaram a relação direta entre o aquecimento global e a intensificação desses eventos.

As alterações no ciclo hidrológico tornaram-se mais visíveis. Regiões afetadas por longas estiagens enfrentaram, em outros momentos, enchentes de grande magnitude, resultado de temperaturas mais altas, maior evaporação e chuvas concentradas em curtos períodos. No Sudeste Asiático, tempestades intensificadas pelo aquecimento dos oceanos causaram perdas humanas e econômicas expressivas, evidenciando como eventos extremos ampliam vulnerabilidades sociais já existentes.

A biodiversidade global seguiu sob forte pressão. Em 2025, prosseguiu o maior evento de branqueamento de corais já registrado, afetando recifes essenciais para a pesca, o turismo e a proteção das zonas costeiras. Em ambientes terrestres, eventos extremos e a fragmentação de habitats ampliaram o risco de extinção de espécies ameaçadas, como o orangotango Tapanuli, na Indonésia. Organizações científicas reforçaram que a perda de biodiversidade compromete serviços ecossistêmicos fundamentais, com impactos diretos sobre a segurança alimentar e climática.

A poluição manteve-se como um dos desafios ambientais mais persistentes e passou a ser tratada de forma mais clara como questão de saúde pública e de direitos humanos. Em 2025, avançaram evidências sobre a presença de microplásticos no ar, na água, nos alimentos e no corpo humano. Relatórios internacionais também destacaram os impactos da poluição química associada à produção industrial e agrícola, apontando custos elevados para sistemas de saúde e para a economia global, sobretudo em comunidades mais pobres.

No Brasil, esse cenário global ganhou contornos concretos. O ano combinou protagonismo internacional e agravamento dos impactos climáticos extremos. A realização da COP30, em Belém, colocou o país no centro das negociações climáticas globais e ampliou a visibilidade da Amazônia nos debates ambientais. Ao mesmo tempo,  o país foi severamente atingido por enchentes, chuvas intensas, deslizamentos de terra, ciclones extratropicais e episódios de ventos extremos, incluindo tornados, especialmente nas regiões Sul e Sudeste. Paralelamente, crises hídricas e incêndios florestais continuaram a afetar biomas como a Amazônia e o Pantanal, com impactos ambientais, sociais e econômicos relevantes, influenciando a produção agrícola, a saúde pública e a segurança alimentar.

O relatório GEO Brasil 2025 consolidou esse diagnóstico ao apontar limitações históricas no financiamento da política ambiental, fragilidades na gestão municipal e elevada exposição do país a eventos climáticos extremos. O documento destacou que os impactos recaem com maior intensidade sobre populações de baixa renda, moradores de áreas de risco e comunidades com menor acesso a serviços públicos.

A agenda ambiental brasileira incluiu a retomada de espaços participativos, como a Conferência Nacional do Meio Ambiente, e iniciativas voltadas à redução de poluentes climáticos de curta duração. Especialistas ressaltaram, porém, que esses avanços ainda dependem de implementação efetiva, monitoramento e recursos compatíveis com a dimensão dos desafios.

Do ponto de vista econômico, relatórios publicados em 2025 reforçaram que os custos da degradação ambiental e da inação climática já são elevados e tendem a crescer. Ao mesmo tempo, indicaram benefícios econômicos e sociais associados a investimentos em transição energética, conservação ambiental e adaptação climática, especialmente quando orientados à redução de desigualdades.

Ao final de 2025, o cenário ambiental é marcado pela consolidação de processos já em curso e por uma compreensão mais madura da crise. Ao reconhecer que a crise ambiental é também humanitária e social, o ano reduziu o espaço para a negação e para o adiamento de decisões.

Por ora, foi isso que 2025 deixou à mostra. Se o ano escancarou os desafios, 2026 se apresenta como a oportunidade de transformar reconhecimento em ação e seguir avançando, ainda que de forma gradual, na construção de respostas mais justas e eficazes. Nos vemos lá!

Retrospectiva Ambiental 2025

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