Restaurantes da RMC acompanham avanço do uso de medicamentos para emagrecimento
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O avanço do uso de medicamentos à base de GLP-1 para emagrecimento já começa a provocar mudanças perceptíveis no comportamento de consumo em bares e restaurantes no Brasil. O movimento, mais visível a partir da segunda metade de 2024, ainda está concentrado nas classes A e, de forma inicial, na classe B, mas tende a ganhar escala nos próximos anos. Na Região Metropolitana de Campinas (RMC), empresários do setor observam a tendência com atenção, embora ainda sem alterações concretas nos modelos de negócio.
Segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes, os primeiros impactos percebidos envolvem ajustes naturais na dinâmica do consumo. Casais passaram a dividir pratos com mais frequência, houve redução no consumo de bebidas alcoólicas em algumas ocasiões e sobremesas deixaram de ser individuais, tornando-se cada vez mais compartilhadas à mesa.
Em 2025, esse movimento começou a se ampliar com a chegada de versões mais acessíveis dos medicamentos, como fórmulas manipuladas e comprimidos, o que facilitou o uso e ampliou gradualmente o público consumidor. A expectativa do setor é de que, em 2026, a tendência se intensifique com o fim da patente de medicamentos líderes da categoria e a entrada de novas opções no mercado, o que deve reduzir preços e ampliar o acesso de forma mais consistente às classes A e B.
Em algumas regiões do Brasil, de acordo com a Abrasel, bares e restaurantes já vêm promovendo ajustes estratégicos. Entre eles estão revisões de preços em formatos como rodízios de carnes e pizzas, maior flexibilidade quanto ao compartilhamento de pratos e uma leitura mais atenta do comportamento do cliente à mesa.
Na região de Campinas, o cenário ainda é de observação. Para Mauro Mason, chef e sócio do Restaurante Benedito, de Campinas, é cedo para avaliar impactos e decidir por mudanças de cardápio. “Estamos acompanhando e já vemos alguns sinais, mas nada ainda que tenha sido medido ou que tenha impacto diretamente relacionado com o medicamento”, afirma.
Sérgio De Simone, proprietário do Rancho Colonial Grill, também de Campinas, reforça que o acompanhamento precisa ser constante. “É uma mudança lenta neste momento, mas que tende a se intensificar. Acredito que o maior impacto deverá ocorrer primeiro em restaurantes com público de maior poder aquisitivo”, avalia o empresário.
Para a Abrasel, o impacto não é necessariamente negativo. “Não significa que as pessoas estejam deixando de consumir nos restaurantes, mas sim mudando a forma como consomem. Em muitos casos, o cliente reduz a quantidade do prato principal, mas opta por uma sobremesa, uma bebida de maior valor agregado ou uma experiência mais sofisticada”, analisa o presidente da entidade, Paulo Solmucci.
Do ponto de vista operacional, essa mudança pode contribuir para o equilíbrio financeiro dos negócios. A redução no volume de insumos por prato, combinada com ajustes de preço e novas escolhas do consumidor, tende a preservar — e até melhorar — a margem dos estabelecimentos, reforçando a capacidade de adaptação do setor às transformações de comportamento e consumo.