Região se prepara para impactos de fenômeno climático
El Niño acende alerta para ondas de calor, incêndios e temporais na região de Campinas
Foto: Fernanda Sunega / PMC
A chegada do El Niño colocou os municípios da Região Metropolitana de Campinas (RMC) em alerta para um período marcado por temperaturas elevadas, ondas de calor, maior risco de incêndios e possibilidade de temporais intensos. O tema esteve entre os principais assuntos discutidos durante reunião do Conselho da RMC realizada na manhã desta terça-feira (18), no espaço Mescla, no Campus 1 da PUC-Campinas.
Durante o encontro, especialistas apresentaram as características do fenômeno climático, seus possíveis impactos na região e medidas que podem ser adotadas pelas administrações municipais. A orientação é para que as cidades fortaleçam o planejamento e trabalhem de maneira integrada, especialmente diante da possibilidade de ocorrência de eventos extremos nos próximos meses.
Segundo o coordenador regional e diretor da Defesa Civil de Campinas, Sidnei Furtado, os efeitos do fenômeno já começam a exigir atenção. “O El Niño já chegou. Estamos recebendo alertas constantes de alta temperatura, riscos de incêndio e a possibilidade dos temporais muito intensos. É importante que as cidades da RMC atuem de forma conjunta, com protocolos integrados”, ressaltou.
Temperaturas acima da média
A pesquisadora e meteorologista Ana Ávila, do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri), da Unicamp, explicou aos representantes dos municípios que o fenômeno está em andamento desde julho e pode apresentar forte intensidade.
“O El Niño está acontecendo desde julho. Deve ser um evento de muita intensidade, temperaturas acima da média, ondas de calor, entre outros”, explicou a meteorologista.
O cenário exige atenção principalmente diante da combinação entre calor intenso e períodos de tempo seco, que pode favorecer incêndios e queimadas. Ao mesmo tempo, a ocorrência de temporais mais severos amplia a necessidade de preparação das Defesas Civis para situações como alagamentos, quedas de árvores e outros transtornos associados às condições meteorológicas adversas.
Ações de prevenção
Durante a reunião, foram apresentadas possibilidades de atuação para reduzir os impactos dos extremos climáticos. De acordo com o prefeito de Campinas e presidente do Conselho da RMC, Dário Saadi, as medidas abrangem desde iniciativas de baixo custo até intervenções que exigem investimentos mais significativos.
“Sugerimos uma série de possibilidades de ações aos municípios para o enfrentamento do El Niño, desde ações de baixo impacto em termos de custo até as que demandam algum tipo de investimento maior”, afirmou.
A assessora técnica ambiental da Secretaria do Clima, Meio Ambiente e Sustentabilidade de Campinas, Angela Guirao, reforçou a necessidade de cada município conhecer seus próprios pontos de vulnerabilidade e estruturar ações específicas de prevenção.
“Cada cidade tem um perfil e deve fazer um planejamento para avaliar os riscos climáticos e o enfrentamento a esses extremos, que devem ser feitos de forma integrada e transversal”, destacou.
A proposta é estabelecer uma governança climática nos municípios e, ao mesmo tempo, ampliar a articulação regional. A integração permitiria compartilhar informações, alertas e protocolos de atuação diante de situações que frequentemente ultrapassam os limites territoriais de uma única cidade.
Projetos da RMC
Bases de apoio: estruturas móveis para atendimento em situações de emergência.
Centros de operações de emergência (COE): modelo regional de planejamento, coordenação e balanço das operações. A RMC tem COEs em 12 municípios.
Radar meteorológico da Unicamp: em operação desde dezembro de 2025, com cobertura de até 100 km.
Protocolo integrado entre Campinas, Itatiba e Morungaba no Pico das Cabras e entre Campinas e Paulínia, na Mata de Santa Genebra, para apoio às operações de combate a incêndios.
Campinas iniciou a implantação de uma rede com 21 estações meteorológicas. Cinco unidades já estão em funcionamento.
Tecnologia e inovação também entram na pauta
Além das discussões sobre o El Niño, o Conselho da RMC debateu a criação de um hub regional de tecnologia e inovação. A proposta apresentada por Campinas prevê que os municípios avancem em legislações voltadas à atração de empresas de tecnologia, incluindo leis de sandbox e mecanismos de incentivo.
Segundo Dário Saadi, Campinas pretende disponibilizar sua experiência e suas legislações aos demais municípios para estimular um ambiente regional favorável a investimentos. A secretária municipal de Desenvolvimento Econômico, Tecnologia e Inovação de Campinas, Adriana Flosi, destacou que a integração pode reunir a capacidade científica, os talentos, as empresas de tecnologia, as indústrias e o capital existente na região em torno de uma identidade comum.
Os prefeitos presentes aprovaram a proposta e se comprometeram a discutir medidas para avançar na formação do hub. A intenção é fortalecer a RMC tanto na preparação para desafios comuns, como os extremos climáticos, quanto na atração de novos negócios e investimentos.