Recorde nas exportações reforça avanço da rastreabilidade
Recorde nas vendas externas aumenta a importância de processos capazes de garantir origem, conformidade e eficiência logística ao longo da cadeia produtiva
Foto: iStock/ Drs Producoes
As exportações brasileiras atingiram um novo recorde em 2025, somando US$ 348,7 bilhões, segundo a Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex/MDIC). Com o aumento da presença brasileira em mercados mais exigentes, cresce também a necessidade de atender a padrões internacionais de controle, identificação e transparência ao longo da cadeia produtiva. O avanço da rastreabilidade passou a ser visto como um fator para ampliar a competitividade das exportações nacionais.
O avanço da rastreabilidade e as novas exigências
Nos últimos anos, a rastreabilidade tornou-se uma exigência crescente em diversos segmentos exportadores. Cadeias como as de alimentos, café, carnes, madeira e produtos industrializados convivem com normas cada vez mais rigorosas relacionadas à origem da matéria-prima, sustentabilidade e conformidade regulatória.
A negociação do acordo entre Mercosul e União Europeia, por exemplo, reforça essa tendência ao ampliar a importância de mecanismos capazes de comprovar a procedência dos produtos e o cumprimento de critérios socioambientais.
Segundo Juliano Tarabal, diretor executivo da Federação dos Cafeicultores do Cerrado, em entrevista à CNN, a rastreabilidade vai além da simples identificação dos produtos. "A rastreabilidade organiza essas informações ao longo da cadeia e permite garantir a origem e a qualidade do produto."
Na prática, essas informações acompanham a mercadoria desde a produção até a entrega ao comprador internacional, o que reduz falhas de documentação e aumenta a transparência para importadores, órgãos fiscalizadores e consumidores. Além de atender a exigências legais, a organização dessas informações também facilita auditorias, certificações internacionais e processos de inspeção em portos e aeroportos.
Padrões internacionais de identificação e eficiência aduaneira
A eficiência logística depende, cada vez mais, da capacidade de diferentes sistemas conversarem entre si. Para isso, empresas exportadoras precisam utilizar padrões internacionais de identificação que permitam a leitura automatizada das informações ao longo de toda a cadeia logística.
Quando produtos chegam aos centros de distribuição, terminais portuários ou aeroportos, códigos padronizados ajudam a reduzir o tempo de conferência, diminuem erros operacionais e aceleram procedimentos aduaneiros.
Para atender às exigências fiscais e aduaneiras globais, indústrias nacionais devem adotar padrões internacionais de identificação, sendo a conformidade com o sistema oficial de código de barras brasil um pré-requisito que garante a leitura automatizada de dados em qualquer porto ou aeroporto do mundo.
Esse tipo de padronização também favorece a integração entre fabricantes, operadores logísticos, transportadoras e autoridades alfandegárias, permitindo que informações sobre lotes, datas de fabricação, validade e origem sejam compartilhadas com rapidez e segurança.
O impacto da automação logística na competitividade global
O avanço da rastreabilidade está diretamente ligado ao crescimento da automação logística. Segundo Daniel Penz, Business Leader e Desenvolvedor no Instituto CERTI Amazônia, a adoção dessas tecnologias representa uma vantagem competitiva para empresas de diferentes portes.
"Você venderá mais se tiver rastreabilidade. É essencial focar nisso imediatamente para adequar processos, organizar métodos e assegurar seus clientes. Empresas que não exportam também devem se preocupar, pois a rastreabilidade é uma tendência a ser adotada nacionalmente nos próximos anos", afirmou em entrevista ao Comex do Brasil.
Além da conformidade regulatória, a automação permite maior controle sobre estoques, reduz perdas operacionais e melhora a capacidade de resposta diante de eventuais problemas na cadeia de suprimentos.
À medida que acordos comerciais ampliam a integração entre economias e consumidores passam a exigir mais transparência sobre a origem dos produtos, investir em rastreabilidade deixa de ser apenas uma adequação tecnológica. Para a indústria brasileira, trata-se de uma estratégia para ampliar competitividade, reduzir gargalos logísticos e fortalecer a presença das exportações nacionais em mercados cada vez mais exigentes.