Quando o tédio vira exaustão: o impacto do boreout na saúde mental da Geração Z
Falta de estímulos, tarefas repetitivas e sensação de inutilidade no trabalho têm afetado jovens profissionais e acendido um alerta sobre os riscos invisíveis do tédio

Foto: iStock/ Mlenny
Entre metas, prazos e cobranças, um novo tipo de esgotamento vem ganhando espaço nos ambientes de trabalho e estudo: o boreout. Ao contrário do burnout, que surge da sobrecarga e da pressão constante, o boreout nasce do tédio extremo e da falta de desafio. A síndrome, ainda pouco conhecida, tem atingido principalmente os jovens da Geração Z, que entram no mercado com expectativas altas de propósito e realização profissional.
A rotina engessada, com tarefas repetitivas e pouco estímulo intelectual, costuma ser o ponto de partida. O problema vai além do incômodo com a monotonia: com o tempo, o desânimo vira um peso difícil de carregar, que afeta o rendimento, mina a motivação e pode desencadear problemas emocionais sérios.
Profissionais mais jovens, especialmente aqueles que cresceram em meio à velocidade da informação e à valorização de causas sociais, costumam se frustrar em ambientes que não oferecem autonomia, criatividade ou propósito. Para essa geração, o trabalho precisa fazer sentido, e, quando isso não acontece, os impactos não demoram a aparecer.
A pandemia e o avanço do trabalho remoto também contribuíram para este cenário. A distância da equipe, a redução da troca diária e a dificuldade em perceber a importância das próprias funções aumentaram a sensação de isolamento e inutilidade. Sem uma liderança presente e aberta ao diálogo, o boreout se instala silenciosamente.
Além dos impactos emocionais, a síndrome pode trazer sintomas físicos: dores de cabeça, fadiga, alterações no sono e até problemas digestivos. Muitas vezes, estes sinais são confundidos com o burnout, o que atrasa o diagnóstico e o tratamento. A diferença está na origem: enquanto o burnout nasce do excesso, o boreout vem da falta de estímulo, de propósito, de conexão.
Nos casos em que surgem quadros de ansiedade e depressão, o acompanhamento médico é essencial. A depender da avaliação do profissional, o uso de medicamentos pode ser indicado. O Esc 10mg, por exemplo, tem sido prescrito com bons resultados em situações de ansiedade leve a moderada, sempre com orientação médica e associado a um cuidado mais amplo com o bem-estar mental.
Para as empresas, enfrentar o boreout exige mudanças na cultura organizacional. Ouvir mais, dar espaço para a inovação, oferecer feedbacks constantes e permitir que as pessoas participem ativamente das decisões são caminhos importantes. A criação de programas de bem-estar, planos de desenvolvimento e estratégias de valorização individual também ajuda a evitar que o tédio tome conta do ambiente.
O boreout não é frescura nem falta de vontade. É um reflexo direto de estruturas que não dialogam com os desejos e as necessidades de uma geração que quer fazer a diferença. Criar espaços em que haja troca, aprendizado e propósito previne a síndrome e cria ambientes mais saudáveis, criativos e produtivos.