Orelhões têm data para desaparecer e Itatiba ainda mantém 63 aparelhos ativos
Foto: Rafa Neddermeyer / Ag. Brasil
Os tradicionais telefones de uso público, conhecidos como orelhões, estão com os dias contados em todo o Brasil. Segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), os últimos aparelhos serão definitivamente extintos até o final de 2028, encerrando um ciclo iniciado em 1972, quando os equipamentos começaram a ser instalados em larga escala no país.
Em Itatiba, levantamento com base em dados oficiais da Anatel indica que o município ainda conta com 63 orelhões ativos, número que chama atenção em meio ao processo de desativação gradual desse serviço. A maior parte dos registros aparece vinculada de forma genérica à área urbana da cidade, mas há unidades instaladas em locais como Condomínio Itaembu, Terras de São Sebastião, Clube de Campo Fazenda, Jardim Nova Esperança, Parque da Fazenda, Real Parque Dom Pedro, além de outros loteamentos e condomínios.
Durante décadas, os orelhões foram mantidos pelas concessionárias de telefonia fixa como uma obrigação contratual, garantindo acesso universal à comunicação. No auge, o Brasil chegou a ter mais de 1,5 milhão de terminais, cujo design icônico foi criado pela arquiteta Chu Ming Silveira, chinesa radicada no país.
Os contratos de concessão que incluíam a manutenção desses aparelhos foram firmados em 1998 e chegaram ao fim em dezembro de 2025. A partir daí, o modelo foi adaptado para o regime de autorizações, prevendo a extinção progressiva dos telefones públicos dentro de um novo plano de universalização das telecomunicações, com foco na ampliação da banda larga e da telefonia móvel.
Além de Itatiba, Morungaba também ainda mantém aparelhos em funcionamento. De acordo com o mesmo banco de dados, o município vizinho conta com 14 orelhões ativos, sendo 11 localizados na área urbana e os demais distribuídos entre os bairros Cachoeirinha, com dois aparelhos, e Buenópolis, com uma unidade. Assim como ocorre em Itatiba, parte dos registros aparece sem detalhamento preciso de bairro, refletindo o padrão adotado pelas operadoras.
Na prática, apenas cerca de 9 mil orelhões deverão permanecer em funcionamento no país até 2028, restritos a localidades onde não exista ao menos cobertura de telefonia móvel 4G. Segundo a Anatel, as empresas assumiram o compromisso de manter serviços de voz — por qualquer tecnologia disponível — em locais onde sejam as únicas prestadoras, além de realizar investimentos em infraestrutura, como implantação de fibra óptica, expansão da telefonia celular, conectividade em escolas públicas e construção de data centers.
Em cidades como Itatiba e Morungaba, a presença ainda significativa desses equipamentos evidencia a transição em curso entre dois modelos de comunicação: um que marcou gerações e outro cada vez mais dependente da conectividade digital. Até o fim de 2028, no entanto, os orelhões deixarão definitivamente de fazer parte da paisagem urbana brasileira.