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Missão Artemis II: a ciência por trás da volta à Lua

Coluna Papo Verde com Dani Fumachi

Por Redação

Por Dani Fumachi

À primeira vista, parece estranho uma coluna ambiental falar de uma missão lunar. Mas faz sentido. Quando humanos se afastam da Terra e olham para ela de longe, o que aparece não é “conquista”, e sim fragilidade: um planeta pequeno, sem peça de reposição. A Artemis II, lançada em 1º de abril de 2026, é a primeira missão tripulada do programa Artemis e está fazendo um voo de cerca de 10 dias ao redor da Lua, para testar se a nave Orion realmente consegue levar gente ao espaço profundo e trazer todo mundo de volta em segurança.

O objetivo não é pousar na Lua, mas dar a volta nela e voltar para casa em segurança. Parece simples, mas o caminho até lá não é uma linha reta.

Tudo começa com um foguete extremamente poderoso, responsável por tirar a nave do chão. Ele usa combustíveis diferentes para gerar uma força enorme e vencer a gravidade da Terra. Essa é a fase mais intensa da viagem, onde quase toda a energia é usada em poucos minutos.

Mas existe um detalhe importante que pouca gente percebe. Antes mesmo da decolagem, a Terra já está ajudando. Ela gira 360 graus em cerca de 24 horas, o que dá aproximadamente 15 graus por hora. Esse movimento acontece de oeste para leste. Na região da Flórida, de onde a missão parte, o solo já está se movendo a mais de 1.400 km por hora.

Quando o foguete decola nessa mesma direção, ele já sai com essa velocidade a favor. É como começar uma corrida já em movimento. Isso não substitui o trabalho do foguete, mas reduz um pouco o esforço necessário. No espaço, qualquer economia de velocidade significa gastar menos energia e menos combustível.

Depois de sair da Terra, a nave não segue direto para a Lua. Primeiro, ela entra em órbita ao redor do planeta e faz algumas voltas. Essa etapa é essencial para testar tudo. Sistemas de ar, energia, controle e até a adaptação da tripulação. Se houver qualquer problema, ainda é possível voltar com segurança.

Só depois desses testes acontece a parte mais importante. A nave acelera na direção certa para sair da influência mais forte da Terra e começar a viagem até a Lua. Esse momento define todo o resto da missão.

Mesmo assim, a nave não vai em linha reta. Ela segue um caminho curvo, planejado com muita precisão. Em vez de lutar contra a gravidade, a missão usa a gravidade a seu favor.

A Lua puxa a nave, muda sua direção e ajuda a colocá-la no caminho de volta para a Terra. Esse tipo de trajetória é pensado justamente para economizar combustível e aumentar a segurança. Mesmo que algo dê errado, o próprio caminho ajuda a trazer a nave de volta.

Depois de alguns dias de viagem, a Orion passa pela Lua a milhares de quilômetros de distância. Não é um pouso e nem uma órbita longa. É uma passagem calculada para testar o sistema completo e continuar o trajeto de retorno.

Na volta, pequenos ajustes são feitos para garantir que a nave chegue exatamente no ponto certo. Essa parte é mais delicada do que parece.

O maior desafio vem no final. Para voltar à Terra, a cápsula precisa entrar na atmosfera no ângulo exato. Se entrar inclinada demais, o calor pode ser intenso demais. Se entrar raso demais, ela pode não conseguir descer corretamente. Tudo precisa estar alinhado com precisão.

Antes dessa etapa, a parte que fornece energia e propulsão é descartada. Só a cápsula com os astronautas continua. Ela entra na atmosfera protegida por um escudo térmico, desacelera e cai no oceano, onde é resgatada.

E por que isso entra no Papo Verde? Porque a Artemis II também obriga uma pergunta ambiental importante: qual é o custo terrestre de mandar humanos para tão longe? Lançamentos têm impacto local e atmosférico, e a própria NASA vem estudando melhor como o ambiente do lançamento interage com exaustão, água e infraestrutura do solo, além de discutir sustentabilidade espacial e impactos das atividades espaciais sobre a Terra. Ao mesmo tempo, a missão reforça uma verdade: olhar a Terra de fora muda a escala do nosso orgulho. O planeta continua pequeno, raro e vulnerável. Explorar o espaço sem discutir responsabilidade ambiental aqui embaixo seria só deslumbramento tecnológico.

A Orion não foi para a Lua “na força bruta”. Ela foi com um foguete muito poderoso no começo, depois usou órbitas ao redor da Terra para testar se estava tudo bem, e por fim pegou uma estrada invisível desenhada pela gravidade da Terra e da Lua. O combustível deu os empurrões certos, mas quem fez o caminho ficar bonito foi a física. E talvez essa seja a lição mais ambiental de todas: até no espaço, os melhores resultados aparecem quando a gente para de lutar contra a natureza e começa a entendê-la.

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