Mercado de SUVs no Brasil: o que explica a preferência nacional?
Setor automotivo registra alta na produção e consolida os utilitários esportivos como líderes de vendas no país
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O setor automotivo brasileiro vive um momento de recuperação, com aumento na produção e nas vendas de veículos em 2024. Nesse cenário, os SUVs se consolidaram como os preferidos dos consumidores, refletindo mudanças no perfil de compra e nas estratégias das montadoras que atuam no país.
Produção de veículos no Brasil demonstra recuperação
De acordo com a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), a produção de automóveis e comerciais leves cresceu 9,7% em relação ao ano anterior, totalizando 2,55 milhões de unidades. As vendas internas também acompanharam o movimento, com 2,63 milhões de veículos comercializados – aumento de 14,1% sobre 2023.
Apesar do desempenho positivo, o volume ainda está abaixo do patamar pré-pandemia. Em 2019, foram produzidas, aproximadamente, 2,94 milhões de unidades, cerca de 15% a mais do que em 2024. Ainda assim, o Brasil retomou o oitavo lugar entre os maiores produtores mundiais de veículos, reflexo da melhora do consumo interno e da estabilidade do crédito automotivo, conforme dados da Anfavea e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio.
Ainda de acordo com a associação, o crescimento foi sustentado, principalmente, pela ampliação da oferta de modelos compactos e pelo fortalecimento da categoria dos utilitários esportivos (SUVs).
Por que os utilitários esportivos dominaram o mercado?
Os SUVs se consolidaram como o principal segmento do mercado de veículos leves no Brasil. Segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), os SUVs compactos responderam por cerca de 25% de todos os emplacamentos de 2024.
Com mais de 618 mil unidades vendidas, esse dado representa um aumento de quase 15%, em comparação com o ano anterior.
Diversos fatores podem explicar a preferência nacional por esse tipo de veículo.
· Versatilidade e conforto: o design elevado, a boa visibilidade e o amplo espaço interno atraem famílias e motoristas que valorizam praticidade.
· Percepção de segurança: o porte mais robusto transmite sensação tanto de estabilidade quanto de proteção.
· Design e status: o estilo esportivo e a imagem moderna dos SUVs conferem um ar de sofisticação, reforçado pela presença crescente de tecnologias embarcadas.
· Adaptação às vias brasileiras: o solo elevado e a suspensão reforçada facilitam o uso em diferentes tipos de terreno, característica ideal para cidades com ruas esburacadas e estradas em mau estado.
Além desses elementos, a estratégia das montadoras também foi decisiva. Segundo a Anfavea, as empresas direcionaram boa parte de seus investimentos para essa categoria, ampliando a produção nacional e reduzindo a dependência de importações. Esse movimento ampliou a concorrência e tornou os SUVs mais acessíveis.
Ainda, esse crescimento da categoria foi impulsionado por diversos modelos que se tornaram populares, desde compactos de entrada até veículos consolidados, como o Jeep Renegade, por exemplo, que ajudou a redefinir o segmento nos últimos anos.
O futuro e a consolidação do segmento no país
A consolidação dos SUVs no Brasil segue uma tendência global, mas com características próprias. A Fenabrave projeta que a participação dessa categoria continuará crescendo nos próximos anos, impulsionada por novas tecnologias, versões híbridas e elétricas e pela preferência dos consumidores por veículos mais espaçosos.
Além disso, a indústria automotiva vem se adaptando. A Anfavea aponta que parte significativa dos investimentos das montadoras em território nacional tem sido destinada a modernização de fábricas e produção de SUVs, refletindo a importância estratégica dessa categoria para o futuro do setor.
Nesse cenário, o sucesso dos utilitários esportivos pode estar ligado à combinação de fatores. Do ponto de vista econômico, eles oferecem melhor relação entre custo, espaço e desempenho. No campo simbólico, representam status e segurança, atributos que podem pesar na decisão de compra do consumidor brasileiro.