Junho Vermelho reforça importância da doação de sangue para o tratamento de pacientes com leucemia
Foto: Govesp
O mês de junho marca a campanha Junho Vermelho, voltada ao incentivo à doação de sangue e à conscientização sobre doenças hematológicas, como a leucemia. Além de chamar a atenção para a importância do diagnóstico precoce e do tratamento adequado, a mobilização também destaca um aspecto essencial para milhares de pacientes: a doação de sangue e, principalmente, de plaquetas.
Segundo a onco-hematologista Mariana Oliveira, da Oncoclínicas, as plaquetas desempenham papel indispensável no tratamento de pacientes com leucemia, em quimioterapia ou que passaram por transplante de medula óssea. Elas são responsáveis pela coagulação do sangue e ajudam a prevenir hemorragias, permitindo que o tratamento seja realizado com maior segurança.
A leucemia é um tipo de câncer que afeta os leucócitos, os glóbulos brancos responsáveis pela defesa do organismo. Como essas células são produzidas na medula óssea, uma mutação genética compromete também a produção de hemácias e plaquetas, tornando frequente a necessidade de transfusões durante o tratamento.
Plaquetas são essenciais
Após a doação de sangue, é possível realizar um procedimento específico para a coleta de plaquetas. Nesse processo, o sangue passa por um equipamento que separa apenas as plaquetas, devolvendo ao doador os demais componentes sanguíneos.
"O procedimento é seguro e permite contribuir diretamente para o tratamento de milhares de pacientes", explica Mariana Oliveira.
A médica destaca ainda que o organismo do doador repõe as plaquetas rapidamente, geralmente em até 48 horas, sem prejuízos à saúde.
Nos pacientes oncológicos, a baixa contagem de plaquetas pode provocar sangramentos espontâneos, hematomas e até comprometer a continuidade da quimioterapia. Por isso, a disponibilidade desse componente é considerada essencial para garantir o sucesso do tratamento.
Apesar de ser um procedimento simples e seguro, muitas pessoas ainda deixam de doar por medo ou falta de informação. "A apreensão é natural, mas precisamos desmistificar esse processo. Quanto maior o número de doadores, maior será nossa capacidade de atender pacientes que dependem das transfusões", reforça a especialista.
Leucemia
Embora o transplante de medula óssea seja frequentemente associado à leucemia, nem todos os pacientes necessitam desse procedimento. O tratamento varia conforme o tipo da doença e pode incluir medicamentos, quimioterapia ou, em alguns casos, transplante.
As leucemias são classificadas em agudas e crônicas. As formas agudas evoluem rapidamente, exigem internação e tratamento intensivo, sendo mais comuns em crianças. Já as crônicas apresentam evolução lenta, ocorrem principalmente em adultos e costumam ser controladas com medicamentos e acompanhamento médico contínuo.
Chances de cura
Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) estimam cerca de 12.220 novos casos de leucemia por ano no Brasil durante o triênio 2026-2028, sendo 6.540 em homens e 5.680 em mulheres.
Apesar de ser considerado um câncer raro, a doença apresenta elevadas taxas de cura quando diagnosticada precocemente. Em crianças, as chances podem chegar a 90%, enquanto pacientes com até 60 anos podem alcançar índices próximos de 50%, dependendo do tipo da leucemia e da resposta ao tratamento.