Jundiaí amplia cuidado em saúde mental para pessoas afetadas pelo uso problemático de jogos e apostas
As mudanças na forma como as pessoas vivem, trabalham e se relacionam também trazem novos desafios para a saúde mental. Entre eles está o uso problemático de jogos e apostas, que ganhou ainda mais espaço com a popularização das plataformas digitais.
Segundo estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS), o transtorno do jogo afeta cerca de 1,2% da população adulta mundial.
Em Jundiaí, a rede pública acompanha esse movimento e vem se preparando para acolher essa nova demanda de saúde mental. Profissionais da rede passaram por formação sobre o tema, e a Secretaria de Promoção da Saúde estuda ampliar a linha de cuidado e implantar um protocolo específico para esses casos, seguindo as diretrizes do Ministério da Saúde.
“A proposta é que o atendimento não se limite à ideia de ‘vício’, mas considere a pessoa como um todo, levando em conta sua saúde mental, relações familiares, situação social e econômica e outros aspectos que possam estar relacionados ao uso problemático. A preparação da rede para essa demanda reforça uma característica importante do cuidado em saúde mental do município: acompanhar as transformações da sociedade e ampliar as possibilidades de acolhimento conforme surgem novas necessidades”, salienta o coordenador de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas, Alexandre Sandri.
O acolhimento pode começar nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) ou nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). A partir da avaliação inicial, a equipe identifica o nível de risco e, junto com o usuário, define as estratégias de cuidado mais adequadas. O atendimento é feito por profissionais de diferentes áreas e pode envolver acompanhamento médico, psicológico, com terapeutas ocupacionais e assistentes sociais, além de atividades individuais ou em grupo e outras possibilidades oferecidas pela rede.
Por ser um assunto que ainda é tabu para muitas pessoas, às vezes vergonha, culpa ou medo do julgamento podem fazer com que o usuário demore a contar que perdeu o controle sobre os jogos. “Por isso, para além do atendimento técnico, a proposta é oferecer um espaço seguro de escuta, troca e acolhimento, onde a pessoa possa falar sobre suas dificuldades sem julgamentos”, completa Sandri.
A participação de familiares e outras pessoas próximas também é importante: eles podem procurar os serviços para receber orientação e ajudar na construção do cuidado, mesmo quando a própria pessoa ainda não consegue pedir ajuda. Além do atendimento presencial, o SUS também oferece teleatendimento em saúde mental para problemas relacionados a jogos e apostas, pelo aplicativo Meu SUS Digital, como mais uma possibilidade de acesso ao cuidado.
Assessoria de Imprensa
Fotos: Fotógrafos PMJ