Itatiba registra queda histórica nos casos de dengue em 2025 e reforça ações preventivas para o verão
Foto: Fernanda Sunega / PMC
Itatiba apresentou uma redução expressiva nos casos de dengue em 2025, acompanhando – e até superando – a tendência de queda observada em todo o Estado de São Paulo. De acordo com dados da Secretaria Municipal de Saúde, o município registrou até outubro deste ano 1.274 notificações da doença, contra 10.523 no mesmo período de 2024. A diferença representa uma diminuição de 87,5% nas notificações, um dos resultados mais positivos dos últimos anos no enfrentamento à dengue.
Do total de casos notificados em 2025, 499 foram confirmados como positivos para dengue. Não houve registro de óbitos pela doença no município neste ano, reforçando o impacto das estratégias de vigilância, prevenção e assistência adotadas pela rede municipal de saúde.
Outro dado que chama a atenção é a distribuição dos casos. Diferentemente de anos anteriores, quando determinados bairros concentravam grande número de notificações, em 2025 não foi identificada uma região predominante. Os registros ocorreram de forma espalhada por toda a cidade, indicando uma distribuição mais uniforme dos casos no território de Itatiba.
O combate ao mosquito Aedes aegypti segue como prioridade permanente da Secretaria de Saúde. As equipes de Agentes de Combate a Endemias (ACEs) e Agentes Comunitários de Saúde (ACSs) realizam vistorias domiciliares constantes em todo o município para identificar e eliminar criadouros do mosquito transmissor da dengue. Em outubro, foi realizada a Avaliação de Densidade Larvária (ADL), procedimento fundamental para mapear focos e antecipar ações antes do período de maior risco, que coincide com o verão.
Itatiba também aderiu à nova campanha nacional “Não dê chance para a dengue, zika e chikungunya”, lançada pelo governo federal em novembro de 2025. As ações municipais incluíram mobilizações intensificadas entre os dias 10 e 14 de novembro, com vistorias no cemitério municipal, aplicação de larvicidas, eliminação de criadouros e coleta de larvas para análise. Paralelamente, houve distribuição de panfletos em feiras livres, afixação de cartazes informativos em supermercados, escolas e parques, além de reforço das ações em ecopontos e borracharias, locais considerados estratégicos no controle do mosquito.
As variações climáticas recentes, como o aumento das temperaturas, maior umidade e a presença de água parada, seguem como fatores de alerta. Essas condições favorecem a reprodução do Aedes aegypti e exigem vigilância constante. Por isso, a Secretaria de Saúde destaca a importância da mobilização comunitária e da participação ativa da população no cuidado com quintais, calhas, recipientes e qualquer local que possa acumular água.
O atendimento aos casos suspeitos de dengue está estruturado nas unidades de saúde do município, com avaliação clínica criteriosa. As equipes analisam sinais de alarme, gravidade, condições clínicas e possíveis comorbidades para definir a conduta. Casos leves recebem acompanhamento ambulatorial, com orientação, hidratação e monitoramento. Situações mais graves são encaminhadas para internação e acompanhamento em unidade de referência.
Entre os principais desafios para evitar novos surtos no verão de 2026 estão a resistência de parte da população às vistorias domiciliares e o grande número de imóveis fechados, o que dificulta o acesso dos agentes de saúde e a eliminação de focos do mosquito. A Secretaria de Saúde reforça que a colaboração dos moradores é essencial para manter os bons resultados alcançados em 2025 e impedir o avanço da dengue no município.
A orientação permanece a mesma: prevenção é a principal arma contra a dengue, e o combate ao mosquito depende do esforço conjunto do poder público e da população.
O ciclo do mosquito
O Aedes aegypti não “nasce infectado”. O mosquito, que transmite também Zika e chikungunya, se torna vetor depois de picar uma pessoa que já esteja com o vírus. A fêmea precisa de sangue para maturar seus ovos, e, quando pica um indivíduo já contaminado, o vírus entra no organismo do mosquito e se multiplica dentro dele.
Depois de ingerir sangue infectado, o Aedes aegypti necessita de um período para que o vírus se multiplique e alcance suas glândulas salivares. Esse processo leva, em média, 8 a 12 dias, variando conforme a temperatura ambiental. Uma vez que o mosquito se infecta, ele permanece assim por toda a sua vida, que dura cerca de 30 a 40 dias. E, a partir do momento que o vírus atinge suas glândulas salivares, cada picada pode transmitir o vírus a uma nova pessoa. Em áreas com grande quantidade de mosquitos, esse mecanismo favorece a rápida expansão do ciclo de transmissão.
Eliminar os criadouros é a medida mais eficaz para prevenir a dengue. Para isso, é essencial evitar qualquer acúmulo de água em pneus, latas, garrafas vazias, vasos de plantas, potes e outros recipientes que possam servir de abrigo para as larvas do mosquito. Também é importante manter plantas e seus pratinhos sempre secos, além de higienizar e escovar regularmente os recipientes que acumulam água. Piscinas que não estiverem em uso devem ser tratadas ou devidamente cobertas, evitando que se tornem pontos de proliferação do Aedes aegypti. Pequenas ações de rotina fazem grande diferença e ajudam a reduzir significativamente o risco de transmissão.