Furto de equipamentos da rede elétrica cresce 26% e acende alerta no setor de energia
Foto: Divulgação
O aumento dos furtos de equipamentos da rede elétrica tem preocupado o setor energético e mobilizado ações mais rigorosas de prevenção e combate. A CPFL Energia registrou, em 2025, o total de 354 equipamentos subtraídos em suas áreas de concessão no Estado de São Paulo — que incluem a CPFL Paulista, CPFL Piratininga e CPFL Santa Cruz — número 26% superior ao registrado em 2024.
De acordo com a companhia, os crimes apresentam sinais claros de profissionalização, com ações organizadas e direcionadas não apenas ao furto de cabos, mas também de equipamentos de maior porte, o que amplia os riscos ao sistema elétrico e à população. “Temos percebido a sofisticação e a organização desses crimes, algo preocupante não apenas para a CPFL, mas para todo o setor elétrico”, afirmou o vice-presidente de Operações Reguladas da empresa, Luís Henrique Ferreira Pinto.
Os impactos são significativos. Apenas em 2025, mais de 6 mil interrupções no fornecimento de energia foram provocadas por furtos nas áreas atendidas pelo grupo. Além dos prejuízos operacionais, as ocorrências afetam diretamente serviços essenciais e colocam em risco a segurança, inclusive dos próprios criminosos envolvidos nas ações.
O diretor-presidente da CPFL Paulista, Rafael Lazzaretti, destaca que o enfrentamento vai além da questão financeira. “Os furtos prejudicam a população, pois afetam a qualidade do fornecimento e comprometem serviços essenciais. O prejuízo é coletivo”, ressaltou.
Para conter os crimes, a empresa ampliou os investimentos em segurança. Em 2025, foram aplicados mais de R$ 22 milhões em ações patrimoniais nas concessões paulistas. Entre as medidas adotadas está a Central de Monitoramento de Ativos, que funciona 24 horas por dia e já conta com mais de 2,3 mil dispositivos instalados em estruturas como subestações.
Outras iniciativas incluem a blindagem de equipamentos, rastreamento de materiais e o estudo de tecnologias inovadoras, como a identificação com nanopartículas resistentes a cortes e queimaduras — técnicas frequentemente utilizadas por criminosos para extração de cobre. Esses materiais podem ser detectados por laser, permitindo comprovar a origem dos itens furtados.
Ações Integradas
O combate também envolve ações integradas com forças de segurança. Em parceria com as polícias Civil e Militar e guardas municipais, a CPFL intensificou fiscalizações em ferros-velhos e estabelecimentos de sucata. Somente em 2025, foram realizadas 37 operações conjuntas, que resultaram na apreensão de cerca de 9 toneladas de materiais com indícios de origem ilícita.
No campo legal, o endurecimento das punições também reforça o enfrentamento ao problema. A Lei 15.181, sancionada em 2025, passou a classificar o furto, roubo e a receptação desses materiais como crimes qualificados. As penas variam de 2 a 8 anos de prisão para furto, de 6 a 12 anos para roubo e de 6 a 16 anos para receptação qualificada, além de multa.
Com a combinação de tecnologia, investimentos e ações conjuntas com o poder público, a CPFL busca reduzir os impactos desses crimes e garantir maior segurança e continuidade no fornecimento de energia à população.