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Fim de ano deve criar 20,5 mil postos de trabalho no varejo paulista, aponta FecomercioSP e Sincomercio Jundiaí e Região

Lojas de vestuário e calçados assim como os supermercados devem concentrar entre 60% e 65% das vagas oferecidas

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Foto: Divulgação / Freepik

O comércio varejista no Estado de São Paulo deve gerar cerca de 20,5 mil novas vagas com carteira assinada (saldo entre admitidos e desligados) nos meses de outubro e novembro. A movimentação ocorre para atender ao aumento da demanda da Black Friday e do Natal, além dos efeitos do pagamento do décimo terceiro salário.

De acordo com a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) e com o Sindicato do Comércio Varejista de Jundiaí e Região (Sincomercio), os supermercados e as lojas de vestuário e calçados devem concentrar entre 60% e 65% das vagas. Esses negócios estarão divididos principalmente entre vendedores, atendentes, operadores de caixa e repositores.

Apesar da previsão de contratação ser positiva, o levantamento das entidades aponta para um recuo em relação ao mesmo período do ano passado, quando 23,9 mil postos de trabalho foram abertos. Se confirmada a projeção, a geração de vagas terá o pior desempenho desde 2020 no setor.

Na avaliação de Edison Maltoni, presidente do Sincomercio Jundiaí e Região, mesmo diante de um cenário econômico mais desafiador, a expectativa de abertura de vagas no fim do ano é positiva e demonstra a capacidade do comércio de movimentar a economia e gerar oportunidades de trabalho.

“As datas sazonais, especialmente a Black Friday e o Natal, representam um período estratégico para o varejo, que precisa estar preparado para atender ao aumento da demanda. Para os trabalhadores, também é uma oportunidade de ingressar no mercado de trabalho e, em muitos casos, conquistar uma efetivação. Por isso, é importante que os empresários planejem suas equipes com antecedência e aproveitem esse momento para identificar novos talentos”, afirma Maltoni.

Diminuição das vendas limita contratações

De acordo com a FecomercioSP, dois movimentos ajudam a explicar a queda anual. O primeiro deles é a redução nas vendas. No acumulado do ano até julho, o faturamento real do varejo paulista caiu 6,1%. Em 12 meses, o recuo foi de 3,5%, de acordo com a Pesquisa Conjuntural do Comércio Varejista (PCCV), elaborada pela FecomercioSP, com base em informações da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo (Sefaz/SP). Com a redução do faturamento, a propensão das empresas a contratar também diminuiu.

O segundo motivo é a forte base de comparação. O varejo paulista atingiu o maior patamar de vínculos celetistas da série histórica em novembro de 2025. Diante da desaceleração da economia e das vendas, o setor tem ajustado seu quadro de funcionários e reduzido a abertura de vagas em algumas atividades. No acumulado do ano até agosto, pouco mais de 11 mil postos foram fechados no varejo do Estado.

Jornada de trabalho e crise das varejistas

Apesar de o levantamento considerar o comportamento recente do mercado de trabalho, a FecomercioSP alerta que alguns fatores podem impactar a dinâmica de abertura de vagas no fim do ano, como a crise financeira de grandes varejistas e os casos de recuperação judicial, que contribuíram para o fechamento de lojas e afetaram os resultados mensais de emprego do setor. Novos fechamentos de lojas, se ocorrerem, podem prejudicar o desempenho geral do segmento e levar o saldo efetivo de postos a ficar abaixo da projeção.

Outro ponto de atenção, de acordo com a Federação, é o fim da escala 6x1. Ainda que haja um período de transição, atividades que já estavam automatizando funções devem ter uma menor necessidade de contratação temporária. Nos supermercados, por exemplo, algumas empresas intensificaram a instalação de caixas de autoatendimento (self-checkouts), reduzindo a necessidade de operadores de caixa, uma das funções mais demandadas no fim do ano. Além disso, há a elevação do custo da hora trabalhada, o que faz com que as empresas adotem uma postura mais cautelosa em relação às contratações.

O que considerar na hora de contratar

Na avaliação do Sincomercio e da FecomercioSP, embora boa parte dos trabalhadores contratados para o fim de ano permaneça nos postos por, no máximo, 90 dias, é importante que os lojistas observem o perfil dos profissionais para identificar possibilidades de efetivação. Assiduidade e pontualidade, qualidade do atendimento, cumprimento de procedimentos e produtividade — além do relacionamento com a equipe — são alguns critérios a considerar.

Também recomenda-se comparar o desempenho do novo funcionário com a média da equipe na mesma função, considerando que o fluxo de clientes durante a Black Friday e o Natal é atípico. Ouvir supervisores e colegas de turno ajuda a avaliar aspectos como atitude, colaboração e capacidade de aprender, além do potencial demonstrado sob pressão. Outra medida é realizar avaliações curtas e documentadas, por exemplo, no 15º e no 30º dia de contrato e na semana que antecede seu término, dando retorno ao funcionário sobre seus pontos fortes e os aspectos que precisam ser aprimorados. Isso permite corrigir eventuais problemas ao longo do período.

Os lojistas também podem avaliar a possibilidade de efetivação do novo talento e a realocação ou reciclagem do profissional mais antigo, por meio de treinamento e mudança de função ou de escala, o que pode resultar em uma equipe mais produtiva. Afinal, desligamento de funcionários, recrutamento de novos profissionais e novos treinamentos consomem tempo e recursos.

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