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Falta de mão de obra já ameaça produção de frutas, legumes e verduras no Brasil

Por Redação

Foto: Valter Campanato / Ag. Brasil

A falta de mão de obra tornou-se a principal preocupação dos produtores brasileiros de frutas, legumes e verduras para os próximos dez anos. O problema já supera, na avaliação do setor, questões como custos financeiros, instabilidade climática, dificuldades logísticas e insegurança econômica, e começa a interferir diretamente na capacidade de produção das propriedades.

Pesquisa divulgada pela revista Hortifrúti Brasil, do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), mostra que 93,3% dos produtores consultados afirmaram ter percebido redução na disponibilidade de trabalhadores nos últimos cinco anos. Os impactos dessa escassez já aparecem em diferentes etapas da atividade agrícola.

De acordo com o levantamento, 61% dos produtores de hortifrúti relataram atrasos nas operações devido à falta de pessoal, enquanto 58% registraram aumento dos custos. Outros 44% observaram perda de qualidade dos produtos e 43% constataram queda de produtividade. Um dos dados que mais chama a atenção é que 39% dos entrevistados precisaram reduzir a área plantada diante da dificuldade para encontrar trabalhadores.

“A falta de mão de obra passou a ser um fator de risco para a própria capacidade de produção do hortifrúti brasileiro. Estamos diante de um gargalo que ameaça diretamente a eficiência e a rentabilidade da cadeia. A redução da área plantada é ainda mais preocupante porque significa que a escassez de trabalhadores começa a limitar a oferta de alimentos”, afirma o head da Ascenza Brasil, Hugo Centurion.

Setor emprega milhões

A preocupação ganha dimensão ainda maior devido à importância do hortifrúti na geração de empregos. Formado principalmente pela fruticultura e olericultura, o segmento apresenta elevada demanda por trabalho direto quando comparado às grandes culturas altamente mecanizadas.

Em média, o segmento necessita de 2,6 trabalhadores por hectare, o equivalente a aproximadamente 6,3 empregados para cada alqueire paulista, que corresponde a 2,42 hectares. A necessidade, entretanto, aumenta significativamente dependendo do tipo de cultura, do nível de tecnologia empregado e, principalmente, da dependência de trabalhos manuais.

Cultivos como uva de mesa, morango, tomate de mesa e mamão podem demandar de três a seis trabalhadores por hectare — entre sete e 14 pessoas por alqueire — sobretudo em atividades como poda, raleio e colheita. Na comparação com culturas de grãos, como soja e milho, o hortifrúti chega a empregar de 25 a 30 vezes mais trabalhadores por área.

Isso ocorre porque frutas, verduras e legumes frequentemente exigem seleção individual, avaliação do ponto de maturação e manuseio cuidadoso para evitar danos que comprometam a aparência, a qualidade e o valor comercial dos produtos.

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