El Niño: o que podemos esperar para os próximos meses?
Coluna Papo Verde com Dani Fumachi
Por Dani Fumachi
Você sabia que a temperatura da água de um oceano pode influenciar até a quantidade de chuva que cai na sua cidade? Parece estranho, mas é exatamente isso que acontece com o El Niño, um fenômeno natural que está chamando a atenção dos cientistas por sua intensidade em 2026.
Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), as águas de uma região do Oceano Pacífico ficaram 2,47 °C acima da média histórica em outubro, o maior desvio já registrado para esse mês desde o início da série de medições. Pode parecer pouca coisa, mas, quando falamos de uma imensa área do oceano, essa diferença é suficiente para provocar mudanças importantes no clima de várias partes do planeta.
Mas, afinal, o que é o El Niño?
Para entender, imagine que o Oceano Pacífico funciona como uma gigantesca reserva de calor. Normalmente, os ventos empurram suas águas superficiais mais quentes em direção à Ásia. Quando esses ventos enfraquecem, parte dessa água quente se espalha pelo centro e pelo leste do oceano, alterando a circulação do ar e a formação das chuvas.
É assim que nasce o El Niño. E seus efeitos não ficam restritos ao mar: eles podem alcançar países a milhares de quilômetros de distância, incluindo o Brasil.
E por que o recorde de outubro preocupa tanto?
Porque o fenômeno continua ganhando força. Os cientistas classificam o episódio atual como muito forte e consideram a possibilidade de que ele esteja entre os mais intensos já observados desde 1950. A previsão é que permaneça ativo pelo menos até o início de 2027.
No Brasil, as consequências podem ser bastante diferentes dependendo da região. Enquanto o Sul apresenta maior tendência de chuvas acima da média, aumentando o risco de enchentes, partes do Norte e do Nordeste podem enfrentar períodos mais secos, com prejuízos para a agricultura, os rios e o abastecimento de água.
E o estado de São Paulo? Segundo a previsão do Inmet para novembro, há tendência de chuvas acima da média. Isso não significa que choverá todos os dias, mas que o volume acumulado no mês poderá superar o habitual. As temperaturas também merecem atenção, já que o El Niño pode favorecer períodos de calor mais intenso no Sudeste.
O El Niño tem relação com o aquecimento global?
Sim, mas é importante não confundir os dois fenômenos. O El Niño é natural e acontece há milhares de anos. Já o aquecimento global atual é provocado principalmente pelo aumento dos gases de efeito estufa na atmosfera, causado pelas atividades humanas.
O problema é que um planeta mais quente pode agravar as consequências de determinados eventos climáticos. Uma atmosfera mais aquecida consegue armazenar mais vapor de água, favorecendo chuvas intensas quando existem condições para sua formação. Ao mesmo tempo, temperaturas elevadas podem aumentar a perda de água do solo durante períodos de estiagem.
Isso não significa que toda enchente ou seca seja causada pelo El Niño. O clima depende de vários fatores, e nenhuma previsão é uma garantia do que acontecerá em determinada cidade.
E como podemos nos proteger?
Diante de um clima cada vez mais imprevisível, alguns cuidados simples fazem a diferença. Em dias de chuva forte, evite áreas alagadas, nunca atravesse enxurradas e acompanhe os alertas da Defesa Civil. Já nos períodos de calor intenso, beba água frequentemente, procure lugares frescos e ventilados e evite a exposição direta ao sol nos horários mais quentes. Também vale redobrar a atenção com crianças, idosos e animais de estimação, que são mais vulneráveis às temperaturas extremas.
Pequenas atitudes não impedem os fenômenos naturais, mas podem evitar acidentes e proteger vidas.
O recorde de outubro, portanto, é mais do que uma curiosidade científica. Ele reforça a importância de acompanhar as previsões meteorológicas, proteger os recursos naturais e preparar as cidades para enfrentar períodos de chuva e calor cada vez mais desafiadores.
Afinal, o que acontece nas águas do Pacífico pode estar muito mais próximo de nós do que imaginamos.