Custos invisíveis desafiam a competitividade da indústria brasileira
Ausência de mapeamento de despesas implica precificação errada e compromete saúde financeira do negócio
Foto: Cemrecan Yurtman/Pexels
O Brasil caiu sete posições no ranking global de competitividade do instituto suíço IMD, passando a ocupar o 65º lugar entre 70 países analisados. Com isso, figura entre os dez piores colocados da lista. Entre os fatores analisados pela pesquisa está a eficiência empresarial, juntamente com desempenho econômico, infraestrutura e eficiência do governo.
Um dos elementos que desafiam a eficiência da indústria brasileira são os custos invisíveis, que corroem as margens de lucro e encarecem o preço final das mercadorias. Diferente dos gastos diretos com matéria-prima e mão de obra, essas despesas indiretas e falhas no controle de custos costumam passar despercebidas, comprometendo a competitividade, tanto no mercado nacional quanto no mercado internacional, como informam representantes do setor.
Entre os custos que costumam passar despercebidos estão energia, retrabalho, perdas de estoque, manutenção, logística interna ineficiente, entre outros. Ignorar esses fatores reflete diretamente na formação do preço do produto.
“Quando a indústria não mapeia os custos invisíveis, ela tende a precificar de forma errada, podendo amargar prejuízos operacionais sem entender a origem ou fixa um preço alto demais, afastando o consumidor e perdendo mercado para os concorrentes”, explica o engenheiro e sócio da Nomus, Thiago Leão.
O desperdício de energia ocorre devido a equipamentos antigos, motores desregulados ou sistemas de iluminação e refrigeração ineficientes, que elevam o consumo elétrico de forma silenciosa.
O retrabalho por falhas engloba erros no processo produtivo, exigindo que produtos ou processos sejam refeitos, duplicando o tempo gasto, assim como o uso de insumos para uma única entrega.
As perdas de estoque envolvem matérias-primas vencidas, danificadas pelo mau armazenamento ou itens obsoletos. Isso representa capital de giro parado e prejuízo direto. Já a manutenção corretiva significa esperar uma máquina apresentar algum problema para consertá-la, o que gera paradas inesperadas na linha de produção, que custam muito mais caro do que a manutenção preventiva.
Movimentações excessivas e desorganizadas de materiais dentro da fábrica são outro gargalo para manter a competitividade, já que demandam tempo dos operários e aumentam o risco de avarias.
Soluções auxiliam o gerenciamento de custos
Nesse cenário, um ERP integra os processos de uma indústria, conectando chão de fábrica, estoque, compras e financeiro. Essa integração permite o cruzamento de informações em tempo real, apontando as despesas ocultas. “Quanto menor a dependência de lançamentos manuais e maior a confiabilidade dos dados em tempo real, menor o risco de erros e inconsistências, autuações e prejuízos para a indústria”, destaca Leão.
Uma das ferramentas utilizadas pelas indústrias é a planilha de controle de produção diária, que permite integrar dados e operações, reduzindo as chances de faltar material, haver erros quanto a prazos e entregas em quantidade ou qualidade inferior ao esperado.
Ter uma planilha de precificação para download pode mudar a gestão de uma empresa, considerando a possibilidade de cálculo de itens que incluem desde a matéria-prima até funcionários, englobando fornecedor e contas que podem envolver custos invisíveis.
O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) destaca que o não gerenciamento dos custos invisíveis podem impactar a saúde financeira de qualquer negócio, independente do setor de atuação.
Por isso, recomenda que os gestores tenham uma reserva financeira para imprevistos, usem planilhas ou aplicativos para registrar as movimentações, incluam no planejamento uma categoria exclusiva para esses gastos e vá ajustando o orçamento conforme o crescimento da empresa.