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Como as corujas conseguem localizar uma presa no escuro?

Coluna Papo Verde com Dani Fumachi

Por Redação

Por Dani Fumachi

Imagine tentar encontrar um pequeno animal escondido entre folhas secas em uma noite sem lua. Para algumas corujas, o desafio é muito menor. Mesmo sem enxergar a presa, elas conseguem localizar pequenos roedores pelo som que produzem ao se movimentar.

Essa habilidade é resultado de adaptações que tornam a audição das corujas especialmente eficiente. O formato do rosto, a posição das orelhas e as penas ajudam essas aves a encontrar alimento mesmo quando a visão não é suficiente.

O rosto ajuda a captar os sons

O formato do rosto de muitas corujas não é apenas uma característica da aparência. A região de penas ao redor dos olhos, chamada disco facial, ajuda a captar e direcionar os sons para os ouvidos, facilitando a identificação de ruídos produzidos por possíveis presas.

Duas orelhas que trabalham juntas

Em algumas espécies, as aberturas dos ouvidos ficam em posições diferentes na cabeça. Essa característica permite que a coruja compare o momento em que o som chega a cada ouvido e a intensidade com que é percebido.

Com essas informações, o cérebro consegue calcular de onde vem o ruído e estimar a posição da presa, inclusive se ela está mais acima ou abaixo da ave. É um sistema tão eficiente que pode permitir a localização de animais escondidos pela vegetação.

Corujas conseguem caçar sem ver a presa

Uma das demonstrações mais impressionantes dessa capacidade ocorre com a coruja-lapônica, encontrada em regiões frias do hemisfério norte. Ela consegue localizar pequenos roedores que se movimentam sob a neve.

Como não consegue ver diretamente o animal, a coruja depende dos sons que atravessam a camada de neve. Quando necessário, pode pairar sobre o local de onde vem o ruído antes de mergulhar para capturar a presa. Assim, ajusta sua posição para aumentar a precisão do ataque.

Voo silencioso

Além de ouvir muito bem, muitas corujas conseguem voar com pouco ruído. Suas penas apresentam pequenas franjas nas bordas e uma superfície aveludada que ajudam a reduzir o som produzido pelo movimento das asas.

Essa característica é importante durante a caça. Ao se aproximar silenciosamente, a ave diminui a chance de ser percebida pela presa. O voo silencioso também pode ajudar a coruja a continuar ouvindo os sons do ambiente enquanto se desloca.

Isso não significa que todas as corujas sejam completamente silenciosas. O ruído varia conforme a espécie e as condições de voo.

O que as corujas podem ensinar à tecnologia?

As penas dessas aves despertam o interesse de pesquisadores que procuram desenvolver equipamentos mais silenciosos. A biomimética, área da ciência que busca inspiração na natureza para resolver problemas humanos, investiga como estruturas encontradas nos animais podem contribuir para melhorar tecnologias.

Características das penas das corujas, por exemplo, já são estudadas em pesquisas sobre redução de ruído em hélices e outros equipamentos que movimentam o ar. A ideia é compreender como a natureza consegue diminuir o som sem impedir o funcionamento eficiente dessas estruturas.

Nem todas as corujas são noturnas

Apesar da fama de caçadoras da noite, nem todas as corujas têm hábitos exclusivamente noturnos. A coruja-buraqueira, encontrada em diversas regiões do Brasil, também pode ser observada durante o dia, principalmente em áreas abertas.

Outro detalhe curioso é que os penachos presentes na cabeça de algumas espécies não são orelhas. São tufos de penas que podem participar da comunicação e ajudar na camuflagem. Os órgãos responsáveis pela audição ficam escondidos entre as penas, nas laterais da cabeça.

Muitas espécies de corujas se alimentam de roedores e de outros pequenos animais, contribuindo para o equilíbrio das populações de suas presas. Por isso, elas também fazem parte das relações ecológicas que mantêm os ambientes naturais funcionando.

A destruição de áreas de abrigo, a perda de locais para reprodução, os atropelamentos e o uso indiscriminado de venenos contra roedores podem colocar essas aves em risco.

Conhecer melhor as corujas ajuda a entender que cada característica de um animal tem uma função e pode estar relacionada à sua sobrevivência. Sua capacidade de localizar uma presa pelo som é um exemplo de como a evolução produziu soluções complexas, capazes de inspirar até mesmo a tecnologia humana.

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