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Coluna Papo Verde: Amizade salvadora, o vínculo que tirou dois órfãos da beira da morte

Por Redação

Foto: Divulgação

Por Dani Fumachi

No Care for Wild Rhino Sanctuary, em Mpumalanga, na África do Sul, uma amizade improvável vem chamando atenção de tratadores e visitantes. Daisy, um bebê rinoceronte-branco, e Modjadji, uma zebra das planícies, foram resgatados em condições quase fatais e agora se tornaram inseparáveis.

Modjadji, a zebra, foi encontrada sozinha no Parque Nacional Kruger, debilitada por anemia causada por parasitas depois de uma forte tempestade. Poucos dias depois, Daisy apareceu: um rinoceronte que tinha pouco menos de um dia de vida, ainda com o cordão umbilical preso e com sinais de infecção. Os tratadores acreditam que sua mãe provavelmente foi morta por caçadores em busca do chifre.

Sozinhos, nenhum dos dois teria grandes chances de sobreviver. Mas, ao colocá-los juntos, os cuidadores deram a eles mais do que alimento e abrigo, deram companhia. Daisy e Modjadji brincam juntas, se alimentam e dormem encostadas, mostrando que, mesmo entre espécies diferentes, a companhia pode ser decisiva para a sobrevivência.

Rinoceronte-branco: gigante de hábitos sociais

O rinoceronte-branco é o maior mamífero terrestre depois do elefante, podendo ultrapassar 2 toneladas. Apesar do porte, os jovens rinocerontes são extremamente vulneráveis: dependem das mães para proteção e aprendizado sobre pastagem, água e comportamento social.

Eles têm características surpreendentes que muitos desconhecem. Por exemplo, seu chifre não é feito de osso, mas de queratina, a mesma substância de unhas e cabelos humanos, e cresce continuamente ao longo da vida. Apesar do porte imponente, enxergam mal e confundem cores, mas compensam com olfato e audição extremamente desenvolvidos. Podem atingir até 50 km/h em curtas corridas, usam vocalizações de baixa frequência para se comunicar a grandes distâncias e possuem excelente memória espacial, lembrando locais de água e pastagem mesmo após anos.

Zebra das planícies: mestre da vigilância

A zebra-das-planícies se destaca pelo padrão de listras único de cada indivíduo, uma espécie de “RG natural” que facilita a identificação dentro da manada. Esses animais vivem em grupos estruturados e dependem de redes sociais complexas para se proteger de predadores, usando movimentos coordenados e sinais silenciosos de orelha, cauda e postura corporal para se comunicar. Dormem de pé, permanecendo sempre alertas, e os filhotes aprendem desde cedo a seguir líderes, reconhecer ameaças e sincronizar seus movimentos, habilidades essenciais para sobreviver na savana e que órfãos, como Modjadji, podem perder se ficarem isolados muito cedo.

Como a amizade ajuda na recuperação

No santuário, o vínculo entre Daisy e Modjadji vai além da diversão: brincar, correr e dormir juntas ajuda no desenvolvimento físico e social, preparando os animais para o retorno à natureza. Essa interação é um substituto parcial para o cuidado materno que cada um perdeu.

Embora suas espécies não interajam tanto na natureza, o instinto de buscar companhia e conforto é universal. Nos primeiros meses de vida, os filhotes não percebem diferenças de espécie; percebem apenas presença e segurança.

À medida que crescem, Modjadji tem passado mais tempo com outras zebras, reaprendendo o comportamento do grupo, enquanto Daisy interage com outros rinocerontes órfãos. No futuro, ambos poderão ser reintroduzidos na vida selvagem, equipados com aprendizado social e habilidades de sobrevivência.

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