Brasil possui mais de 38% de crianças e adolescentes em obesidade e sobrepeso
Consumo de ultraprocessados, sedentarismo e desigualdade social ajudam a explicar o avanço do excesso de peso entre os mais jovens
Foto: Liudmila Chernetska / iStock
A obesidade entre crianças e adolescentes brasileiros alcançou um patamar preocupante. Dados do Atlas Mundial da Obesidade 2026 apontam que 38,4% da população entre 5 e 19 anos vive com sobrepeso ou obesidade no país.
O percentual representa quase 17 milhões de jovens acima do peso, sendo cerca de 7,5 milhões com obesidade. Além disso, o índice é quase o dobro da média global, estimada em 20,7%.
O cenário acompanha uma tendência observada em diversas partes do mundo. Atualmente, a obesidade já superou o baixo peso e se tornou a forma mais comum de má nutrição entre crianças e adolescentes em quase todos os continentes.
Se nenhuma medida efetiva for adotada, a projeção para o Brasil é ainda mais alarmante: até 2040, mais da metade dessa população poderá apresentar sobrepeso ou obesidade.
O que explica o aumento da obesidade infantil?
O crescimento da obesidade infantil está ligado a diferentes fatores, entre eles o consumo de alimentos ultraprocessados. Segundo o Atlas Mundial da Obesidade 2026, esse é um dos elementos mais associados ao avanço do excesso de peso entre crianças e adolescentes em diversos países.
Esses produtos costumam concentrar grandes quantidades de açúcar, sal, gorduras e ingredientes de uso industrial, tornando-se nutricionalmente desbalanceados. Além disso, frequentemente substituem alimentos in natura ou minimamente processados, como frutas, verduras, leite e refeições caseiras, reduzindo a qualidade da alimentação ao longo do tempo.
Esse consumo pode ter relação com a desigualdade social. Em famílias de baixa renda, alimentos ultraprocessados costumam ser mais acessíveis financeiramente do que opções frescas e saudáveis.
O impacto de tudo isso vai além do ganho de peso: aumento do risco de diabetes, doenças cardiovasculares, alguns tipos de câncer, depressão e outras doenças crônicas. Dessa forma, a crescente presença desses produtos na rotina das famílias ajuda a explicar o avanço da obesidade entre os mais jovens.
Outros fatores também contribuem para esse cenário, como os baixos níveis de atividade física, o aumento do tempo de tela e o aleitamento materno inadequado nos primeiros meses de vida.
Os perigos da obesidade para a saúde infantil
As consequências da obesidade vão muito além das mudanças no peso corporal. Quando não identificada e tratada precocemente, a condição pode provocar alterações metabólicas importantes e aumentar o risco de doenças crônicas ainda na infância ou adolescência. Entre as principais complicações estão:
· Diabetes tipo 2;
· Hipertensão arterial;
· Colesterol alto;
· Doenças cardiovasculares;
· Hiperglicemia;
· Doença hepática esteatótica, conhecida como gordura no fígado.
Além disso, o consumo frequente de ultraprocessados está associado ao aumento do risco de diabetes, doenças cardiovasculares, alguns tipos de câncer, depressão, doenças gastrointestinais e outras condições crônicas.
Diante desse cenário, a medicina tem papel fundamental tanto na prevenção quanto no acompanhamento multidisciplinar dos pacientes. A atuação integrada entre profissionais da saúde, famílias, escolas e gestores públicos é essencial para promover hábitos mais saudáveis e conter o avanço da obesidade nas próximas gerações.