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Apneia do sono pode afetar a visão e aumentar risco de doenças oculares

Por Redação

Foto: Divulgação

A Apneia Obstrutiva do Sono (AOS), já conhecida por sua relação com doenças cardiovasculares e metabólicas, também pode trazer impactos importantes à saúde ocular. O alerta é do oftalmologista Leoncio Queiroz Neto, diretor executivo do Instituto Penido Burnier, que destaca evidências de que o distúrbio pode contribuir para o afinamento da retina e aumentar o risco de glaucoma.

De acordo com o especialista, a disfunção nessa região pode comprometer a capacidade de recuperação da córnea, agravando sintomas como olho seco persistente, vermelhidão e oscilações na visão. Ele ressalta que esse cenário está diretamente ligado aos efeitos da hipóxia intermitente — falta de oxigênio durante o sono — comum na apneia, que desencadeia processos inflamatórios e estresse oxidativo no organismo.

Com prevalência estimada em até 30% da população adulta, em diferentes graus, a apneia do sono ainda é amplamente subdiagnosticada no Brasil. A condição é caracterizada por interrupções repetidas da respiração durante o sono, o que compromete não apenas a qualidade do descanso, mas também diversas funções do organismo.

Esse ambiente inflamatório, explica Queiroz Neto, pode afetar diretamente a estabilidade da córnea e favorecer o desenvolvimento do ceratocone — doença progressiva que altera o formato da córnea, tornando a visão distorcida e sendo uma das principais causas de transplante corneano.

Entre os principais sinais de alerta para problemas na córnea estão visão embaçada, ardor, vermelhidão e sensibilidade à luz. Por serem sintomas comuns, muitos pacientes acabam negligenciando a busca por atendimento especializado. No entanto, o especialista reforça que desconforto ocular frequente não deve ser considerado normal.

Outro ponto de atenção destacado é o hábito de coçar os olhos, frequentemente associado ao desconforto. Segundo ele, essa prática pode fragilizar as fibras de colágeno da córnea, agravando o quadro e aumentando o risco de evolução para estágios mais graves da doença.

Além disso, o uso do CPAP — principal tratamento para apneia do sono — também pode causar ressecamento ocular quando não está devidamente ajustado, exigindo acompanhamento médico adequado.

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