Alunos de Libras do FormAção vivenciam prática com convidada surda em atividade de imersão cultural
Foto: Divulgação / PMI
O curso de Libras I do Programa FormAção, promovido pelo Fundo Social de Solidariedade (FSS) de Itatiba, proporcionou uma experiência prática e enriquecedora aos alunos com a realização da atividade “Ponte entre Silêncios”. A iniciativa contou com a participação da convidada surda Ariele Dias, que levou ao ambiente de sala de aula vivências reais da Língua Brasileira de Sinais.
A ação, idealizada pela professora Helvia Oliveira, aconteceu nas noites dos dias 11 e 12 de março, no Centro de Capacitação Solidária, e teve como objetivo aproximar os estudantes da realidade da comunicação em Libras. Para muitos participantes, foi a primeira oportunidade de interagir diretamente com uma pessoa surda desde o início do curso.
Durante o encontro, os alunos puderam praticar saudações básicas e avançar no uso da língua em situações cotidianas. A ansiedade inicial deu lugar ao entusiasmo conforme Ariele compartilhava suas experiências, desafios do dia a dia e a importância da Libras para a autonomia da comunidade surda. “A presença da Ariele foi fundamental para que eles entendessem que Libras não é apenas um conjunto de gestos, mas uma identidade viva”, destacou a professora Helvia.
Identidade e pertencimento
Um dos momentos mais marcantes da atividade foi o batismo do chamado Sinal Pessoal, um elemento importante da cultura surda. Os alunos das duas turmas receberam esse “nome visual”, utilizado para facilitar a comunicação e reforçar a identidade individual dentro da comunidade.
O Sinal Pessoal substitui a soletração do nome (datilologia) e, geralmente, é baseado em características físicas, traços de personalidade ou atividades do indivíduo. De acordo com a professora, a tradição estabelece que apenas uma pessoa surda pode atribuir esse sinal, por deter a vivência cultural e o domínio da estrutura linguística da Libras.
“Receber um sinal significa que você não é mais um ‘estrangeiro’ completo; você agora tem uma identidade reconhecida por aqueles que vivem a língua diariamente”, explicou Helvia, ressaltando o simbolismo e a importância desse momento para os alunos.