Acompanhamento multiprofissional na saúde melhora tratamentos
Troca de informações entre profissionais ajuda a reduzir a fragmentação do atendimento e a adaptar o cuidado às necessidades de cada paciente
Foto: iStock/ Lacheev
O acompanhamento de uma pessoa em tratamento pode envolver mais de uma área da saúde. Médico, enfermeiro, nutricionista, farmacêutico, psicólogo, fisioterapeuta e outros profissionais podem atuar de forma articulada para acompanhar diferentes necessidades ao longo do cuidado. Segundo descrição do Ministério da Saúde, equipes multiprofissionais são grupos de profissionais de diferentes áreas que trabalham de maneira complementar, com o objetivo de ampliar o acesso e oferecer atenção integral.
A proposta ganha importância principalmente em tratamentos prolongados, nos quais a continuidade do acompanhamento, a compreensão das orientações e a adaptação dos cuidados à rotina do paciente podem influenciar a adesão. Uma revisão publicada pela Revista Tópicos em agosto de 2024 identificou associação entre o acompanhamento multiprofissional e maior adesão terapêutica, além de melhor monitoramento clínico e educação em saúde.
O papel do acompanhamento multiprofissional na saúde moderna
Uma equipe multidisciplinar reúne conhecimentos diferentes em torno de uma mesma pessoa. Em vez de cada profissional observar apenas a parte relacionada à sua especialidade, a proposta é compartilhar informações e construir uma estratégia de cuidado que considere as necessidades identificadas durante o acompanhamento.
Essa integração também pode facilitar a identificação de fatores que interferem no tratamento. Uma dificuldade para seguir determinada orientação pode estar relacionada não apenas à condição clínica, mas também à rotina, alimentação, saúde mental, limitações físicas ou dificuldades sociais.
Como a integração de especialidades melhora a adesão a tratamentos
Seguir um tratamento por semanas, meses ou anos exige mais do que receber uma prescrição. O paciente precisa compreender as orientações, saber quais etapas fazem parte do cuidado e ter espaço para relatar dificuldades durante o acompanhamento.
É nesse ponto que a comunicação entre profissionais faz a diferença. Quando as informações são compartilhadas, a equipe consegue acompanhar a evolução do paciente, reavaliar condutas e identificar obstáculos que poderiam passar despercebidos em atendimentos isolados.
Esse modelo funciona como um trabalho em que a equipe constrói o diagnóstico, estabelece metas, reavalia os resultados e acompanha o processo terapêutico em conjunto. Quando diferentes atendimentos acontecem sem esse diálogo entre os profissionais, pode haver perda de informações e dificuldade para planejar os próximos passos.
Os pilares do cuidado integral e do suporte ao paciente
O cuidado integral parte da ideia de que a saúde não pode ser observada apenas a partir da presença ou ausência de uma doença. Aspectos físicos, mentais e sociais, além de fatores como ambiente, estilo de vida e relações sociais, também impactam a saúde.
Essa abordagem permite que diferentes profissionais contribuam para objetivos que se complementam. Enquanto uma área acompanha aspectos clínicos, outra pode trabalhar alimentação, mobilidade, recuperação funcional, uso seguro de medicamentos ou questões emocionais relacionadas ao tratamento.
Dentro dessa abordagem interdisciplinar, o suporte vindo da psicologia também pode contribuir para o cuidado integral e para o fortalecimento do paciente durante processos de recuperação ou tratamentos prolongados, já que a saúde mental pode interferir na maneira como a pessoa enfrenta mudanças na rotina, lida com limitações e mantém o acompanhamento proposto pela equipe.
O cuidado compartilhado, portanto, depende de comunicação, definição de responsabilidades e acompanhamento contínuo. Quando essas áreas conseguem trabalhar de forma coordenada, o paciente passa a participar de um plano de cuidado que considera diferentes aspectos da sua saúde.
Dessa forma, o acompanhamento multiprofissional organiza conhecimentos diferentes em torno das necessidades de cada pessoa. A proposta é tornar o cuidado mais contínuo, coordenado e próximo da realidade do paciente, sem substituir a avaliação individual feita pelos profissionais responsáveis.