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Por Agência Estado

Decotelli ganha sobrevida no MEC, mas Bolsonaro não garante nomeação

O ambiente no Planalto, segundo fontes, é de muita pressão e profusão de nomes para o MEC

Por Agência Estado

Após um dia intenso ontem, o presidente Jair Bolsonaro decidiu dar sobrevida a Carlos Alberto Decotelli no Ministério da Educação (MEC), apesar dos sucessivos questionamentos ao seu currículo e da posse, prevista para hoje, ter sido adiada.

Pelas redes sociais, Bolsonaro não deixou claro se dará ou não posse a Decotelli e disse só ter recebido mensagens de "trabalho e honradez" sobre o indicado. Ao mesmo tempo, importantes assessores do governo continuam sondando nomes para substituir o economista.

Decotelli perdeu apoio do grupo militar que o havia indicado e de professores da Fundação Getulio Vargas (FGV). Todos se disseram surpreendidos com as incoerências em sua vida acadêmica, já que doutorado e pós-doutorado foram questionados pelas instituições estrangeiras e há acusação de plágio no mestrado na FGV. Mesmo constrangidos, militares ainda continuam a indicar outros nomes para Bolsonaro. Assim como a ala ligada a Olavo de Carvalho.

O ambiente no Planalto, segundo fontes, é de muita pressão e profusão de nomes para o MEC.

O governo também não gostou de saber que Decotelli não é professor contratado da FGV - ele deu aulas como pessoa jurídica em alguns cursos - e teme aparecerem mais problemas.

Nas redes sociais, o presidente disse que "o professor vem enfrentando toda a forma deslegitimação para o ministério" por "inadequações curriculares".

Segundo a publicação, "todos aqueles que conviveram com ele comprovam sua capacidade para construir uma educação inclusiva e de oportunidade para todos".

Mesmo assim, não citou a posse do novo ministro.

A mensagem veio após conversa do presidente com Decotelli no fim da tarde de ontem.

Ele ouviu as versões do indicado e concluiu que ele tem "lastro acadêmico" e "reconhecimento como gestor", após 42 anos de vida pública.

"Sou ministro, tenho trabalhos agora e vou ficar até de noite para corrigir os ajustes no Enem, Sisu", disse Decotelli, ao deixar o encontro em Brasília.

Entre os nomes que tÊm sido sugeridos, estão alguns dos que Bolsonaro já recebeu na semana passada, como Marcus Vinícius Rodrigues, ex-presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) na gestão de Ricardo Velez.

Ele é engenheiro e ligado ao mesmo grupo militar de Decotelli.

Rodrigues deixou o Inep, órgão do MEC, após desentendimento com o grupo ligado a Olavo de Carvalho.

Na segunda-feira também o Planalto passou a analisar o currículo do reitor do Instituto de Tecnologia Aeronáutica (ITA), Anderson Ribeiro Correia, que chefiou a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) até 2019. Outro que esteve com Bolsonaro foi o ex-pró-reitor da FGV Antonio Freitas, também indicado pelo grupo militar.

O secretário de Educação do Paraná, Renato Feder, foi entrevistado pelo presidente e depois avisado que não tinha sido escolhido. O deputado federal Eduardo Bolsonaro teria sugerido Sérgio Sant'ana, ex-assessor especial do ex-ministro Abraham Weintraub e ligado a olavistas do governo.

Ilona Becskeházy, atual secretária de Educação Básica do MEC, foi elogiada por jornal ligado a Olavo de Carvalho, que disse que ela "pode salvar a educação brasileira". Desde o fim de semana, quando a formação acadêmica de Decotelli passou a ser alvo de contestação, auxiliares do presidente argumentam que os questionamentos inviabilizam totalmente o ex-professor no cargo, no momento em que o governo tenta recuperar a confiança na pasta.

Outro grupo ponderou que outra mudança no MEC pode ser pior e alegam que outros ministros já tiveram o currículo contestado, mas seguiram no cargo após a explicação.

O nome de Decotelli foi publicado no Diário Oficial depois de anunciado por Bolsonaro. Polêmica Desde que foi anunciado como ministro, Decotelli teve as informações de seu currículo questionadas.

Ao anunciá-lo, Bolsonaro mencionou a formação do professor.

No dia seguinte, o título de doutor foi questionado por Franco Bartolacci, reitor da Universidade Nacional de Rosário (Argentina).

O ministro inicialmente negou e mostrou certificado de conclusão de disciplinas à reportagem.

"É verdade.

Pergunte lá para o reitor." No fim do dia, atualizou o currículo e passou a declarar que teve "créditos concluídos" no doutorado, em 2009.

No campo relacionado ao orientador, o ministro assinalou: "Sem defesa de tese". No sábado, a dissertação de mestrado do ministro também foi colocada sob suspeita após o economista Thomas Conti apontar, no Twitter, possíveis indícios de cópia no trabalho, de 2008.

Ele citou trechos na dissertação idênticos a um relatório do Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul) para a Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

A FGV informou que vai investigar a suspeita.

"Tem um simbolismo muito grande ele ter sido desmentido por duas universidades estrangeiras e ainda tem problemas no mestrado", diz o deputado federal, da Frente Parlamentar Mista de Educação, Israel Batista (PV-DF).

Segundo ele, vários deputados da Frente consideraram esperar a situação do ministro para convidá-lo para conversa na Câmara. Já na comissão de Educação da Câmara, a participação do ministro continua marcada para quinta-feira. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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