Legado de Wilsinho Fittipaldi segue vivo na Fórmula Vee
Sua esposa, Rita Fittipaldi, relembra a dedicação de Wilson Fittipaldi Júnior à categoria-escola e como sua atuação segue inspirando novas gerações do automobilismo brasileiro
Foto: CleevRacing
O legado de Wilson Fittipaldi Júnior na formação de pilotos continua vivo na Fórmula Vee. Após construir uma trajetória marcante como piloto, dirigente e referência do automobilismo brasileiro, Wilsinho dedicou seus últimos anos à categoria-escola, ajudando a formar novos talentos. Sua esposa, Rita Reis Fittipaldi, relembra esse trabalho e a paixão com que ele acompanhava cada novo competidor.
"Para ele, a Fórmula Vee era uma categoria-escola essencial e preenchia um espaço fundamental entre o kart e as categorias nacionais, permitindo que os pilotos construíssem uma base sólida antes de dar passos maiores na carreira. Como percorreu todas as etapas do automobilismo até chegar à Fórmula 1, sempre acreditou que uma boa formação fazia toda a diferença."
Na década de 1960, ele também disputou provas da Fórmula Vee e, ao lado do irmão, Emerson Fittipaldi, participou da construção de cerca de 57 carros da categoria. A dupla também desenvolveu projetos que marcaram época, como o famoso Fusca equipado com dois motores, capaz de enfrentar esportivos muito mais potentes.
História da FVee
A história da modalidade no Brasil começou inspirada pelo sucesso já consolidado nos EUA e na Europa, por influência de Matthias Petrich, jornalista brasileiro de origem alemã e correspondente da revista Auto Esporte na Europa, nos anos 60. Várias publicações da revista incentivaram pilotos e equipes a montarem seus Fórmula Vee por aqui, conforme informações da reportagem “A origem da categoria Fórmula Vee”, do jornalista Leonardo Marson, para o portal Racing Online.
A primeira prova no Brasil foi disputada em 14 de maio de 1967, no Rio de Janeiro, com Emerson Fittipaldi vencendo as duas baterias e pilotando o famoso “Fitti-Vê”, construído por seu irmão, Wilson Fittipaldi Júnior. Ao lado do pai, Wilson Fittipaldi, o “Barão”, e de nomes como José Carlos Pace, os irmãos ajudaram a consolidar a categoria como porta de entrada para o automobilismo brasileiro.
Os irmãos carregavam a tradição do automobilismo do pai, que também era piloto, construtor de carros e organizador de provas, além de jornalista e conhecido locutor da então Rádio Panamericana, atualmente Rádio Jovem Pan.
"Barão" foi um dos responsáveis pela popularização da modalidade no Brasil, que se expandiu com a divulgação que fazia, em seu trabalho no jornalismo esportivo. Mas a FVee foi impulsionada, sobretudo, pela visão e iniciativa de Emerson, Wilsinho e José Carlos Pace, que uniram a experiência familiar no automobilismo com a possibilidade da modalidade ser a transição para a Fórmula 1.
Trabalho decisivo na reestruturação da modalidade
Conforme Rita Fittipaldi, uma das maiores contribuições de Wilsinho foi sua participação como consultor técnico, instrutor e orientador de pilotos da Fórmula Vee. Segundo ela, Wilsinho colocou à disposição da categoria e dos jovens competidores toda a experiência acumulada em décadas de automobilismo, com uma atuação decisiva para a reestruturação da categoria.
Convidado por Flávio Menezes, então administrador da Fórmula Vee em 2016, passou a acompanhar pilotos e equipes, compartilhando sua experiência tanto na pilotagem quanto no planejamento das carreiras dos pilotos.
"A falta de pilotos brasileiros na Fórmula 1 fazia com que ele se dedicasse ainda mais, pois sentia enorme satisfação em acompanhar o crescimento dos pilotos, tanto na evolução da pilotagem quanto no desenvolvimento de suas carreiras", conta.
Preservar a tradição da Fórmula Vee também era uma missão pessoal de Wilsinho. Para sua esposa, a categoria faz parte não apenas da história do automobilismo brasileiro, mas também da própria trajetória do piloto, tendo revelado nomes que se tornariam lendas do esporte, como Emerson Fittipaldi, José Carlos Pace e Nelson Piquet.
"Ele tinha um brilho nos olhos ao ajudar cada novo piloto que chegava. Era um ambiente muito saudável e divertido. Nos intervalos dos treinos, adorava contar histórias, fazendo a ligação entre o início da Fórmula Vee e o presente. Assim, mantinha vivo um importante elo com a história do automobilismo nacional", explica Rita.
Legado que permanece vivo
Mesmo após sua partida, Rita Fittipaldi acredita que a presença de Wilsinho continua sendo sentida diariamente na Fórmula Vee. Para ela, seu maior legado é o entusiasmo, a simplicidade e a forma próxima com que sempre tratou pilotos, equipes e todos os envolvidos com a categoria.
"Todos se sentiam à vontade para aprender, perguntar e conversar. A própria existência e resistência da Fórmula Vee como modalidade inicial, formando novos talentos para o automobilismo, é a maior prova de que sua visão continua viva", enfatiza.
Ao longo de sua história, a Fórmula Vee consolidou-se como uma das principais escolas de formação de pilotos do Brasil e, atualmente,perpetua uma tradição iniciada há mais de seis décadas.
No Troféu Wilson Fittipaldi Júnior — prêmio máximo entregue aos campeões do Campeonato Paulista de Fórmula Vee — criado após a morte do piloto em 2024, a atual detentora e organizadora da modalidade (AMIKA) mantém o registro permanente de todos os campeões da modalide, desde 1967.