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Instituto Serra dos Cocais lança projetos e inicia nova frente regional de conservação

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Foto: Arquivo Pessoal

Por Daniele Fumachi/JI

Na manhã da última quinta-feira (27), o Jornal de Itatiba esteve presente à cerimônia de lançamento dos projetos do Instituto Serra dos Cocais, realizada no Centro de Formação e Lazer (CEFOL), em Valinhos, sede oficial da instituição. O encontro reuniu biólogos, pesquisadores, ativistas ambientais, representantes de instituições parceiras, membros da comissão do instituto e veículos de imprensa dos municípios regionais.

A reunião foi conduzida pelo biólogo, pesquisador e dirigente da instituição, Fábio Motta, que apresentou a estrutura do instituto e os eixos de atuação previstos para os próximos meses. O evento marcou o início oficial de uma frente organizada de conservação voltada à Serra dos Cocais, uma das áreas naturais mais significativas e ameaçadas da Região Metropolitana de Campinas.

A Serra dos Cocais

A Serra dos Cocais ocupa aproximadamente 13.370 hectares distribuídos entre os municípios de Valinhos, Vinhedo, Itatiba e Louveira. A proporção territorial de cada município, conforme documentos de zoneamento e mapeamento utilizados pelo instituto, é a seguinte: Valinhos concentra cerca de 42% da área total; Vinhedo, aproximadamente 33%; Itatiba, 18%; e Louveira, cerca de 7%. Esses números demonstram a forte interdependência regional no manejo e proteção da serra.

A vegetação do território é composta por formações de Mata Atlântica semidecidual, Cerrado e áreas de vegetação rupestre associadas a grandes afloramentos graníticos. Trata-se de um ecótono de extrema relevância ecológica, marcado por alta diversidade de fauna e flora. Estudos já registraram mais de 200 espécies de vertebrados terrestres, incluindo aves, mamíferos, répteis e anfíbios, muitos deles ameaçados ou em situação de vulnerabilidade. Segundo Fábio Motta, até o momento apenas entre 2% e 3% da área total foi efetivamente amostrada em pesquisas, o que indica que a biodiversidade real da serra é muito superior ao que já se conhece.

A Serra dos Cocais é também uma área estratégica de recarga hídrica. Suas nascentes e córregos abastecem rios fundamentais, como o Atibaia, o Capivari e o Ribeirão Pinheiros, contribuindo diretamente para o abastecimento público dos municípios do entorno.

Projetos apresentados

Durante a cerimônia, Fábio Motta apresentou os principais projetos que passam a integrar a atuação do Instituto Serra dos Cocais. O primeiro foi o Projeto de Preservação do Sauá, voltado ao primata símbolo da serra. O trabalho inclui monitoramento, pesquisas e definição das áreas prioritárias para proteção. Em seguida, foram anunciados os programas de conservação e restauração ambiental, com ações de plantio de mudas nativas, recuperação de áreas degradadas, estudos da flora e reforço das zonas de amortecimento, especialmente nas áreas atingidas por queimadas. Também foram apresentados os projetos de pesquisa científica e monitoramento da biodiversidade, responsáveis por inventários, mapeamentos e estudos de longo prazo para ampliar o conhecimento sobre a fauna, a flora e o funcionamento ecológico da região.

Por fim, foi mencionada a necessidade de captação de recursos financeiros, que irá garantir o avanço das pesquisas, o andamento das ações de campo, a compra de equipamentos, o apoio à brigada voluntária de combate a incêndios e o suporte geral às atividades do instituto.

Apoio imediato

A Serra dos Cocais foi gravemente atingida por incêndios nos últimos anos, com centenas de hectares destruídos. A brigada que atua na região é composta por voluntários, e o instituto destacou que parte significativa dos recursos captados será destinada à compra de equipamentos, materiais de segurança, ferramentas e insumos necessários para as ações de prevenção e combate ao fogo.

Um marco para a conservação regional

A fundação do Instituto Serra dos Cocais representa um passo decisivo para a proteção do território e para a articulação de esforços entre pesquisadores, instituições, sociedade civil e veículos de comunicação. A iniciativa nasce em um momento crítico, em que incêndios, pressões urbanísticas, fragmentação de habitats e ausência de políticas permanentes ameaçam o equilíbrio ecológico da região.

Ao final da reunião, ficou claro que a agenda apresentada pelo instituto estabelece bases concretas para enfrentar esses desafios. Com projetos de preservação, pesquisa, captação de recursos e apoio às ações voluntárias, a instituição assume o papel de liderança na defesa de um dos patrimônios ambientais mais valiosos da região metropolitana.

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