“Grupão”: 130 anos de história e tradição no ensino de Itatiba
Foto: Acervo Foto Parodi
A história da educação em Itatiba passa diretamente pela trajetória da Escola Municipal de Ensino Básico Coronel Júlio César, o tradicional “Grupão”, que completa 130 anos como uma das instituições de ensino mais importantes e simbólicas da cidade. Mais do que uma escola, o prédio histórico representa um marco da implantação do ensino público organizado no interior paulista e preserva memórias de gerações de itatibenses.
Até o ano de 1885, Itatiba contava apenas com escolas isoladas. Com a Proclamação da República, em 1889, o Estado de São Paulo iniciou uma ampla reforma educacional que criou os chamados Grupos Escolares — modelo que reunia diversas classes em um único prédio, com currículo organizado e métodos pedagógicos padronizados. Os primeiros grupos surgiram na Capital e, a partir de 1894, passaram a se expandir pelo interior paulista.
Foi nesse contexto que, em 13 de maio de 1896, foram inauguradas as Escolas Reunidas de Itatiba, que posteriormente se transformariam no Grupo Escolar Coronel Júlio César. Inicialmente, a escola funcionava em um imóvel localizado na Rua Benjamin Constant, nº 59. Já em 1906, foi lançada a pedra fundamental para a construção do edifício que abriga a unidade até os dias atuais.
As obras foram concluídas em 1909, ano em que começaram as aulas no prédio histórico. Segundo o professor Gelvis Bassi, pesquisador da história das escolas itatibenses e docente da unidade, o Júlio César foi o único grupo escolar da cidade por quase meio século, até a criação do Grupo Escolar Araújo Campos, em 1951.
Homenagem
O nome da escola foi uma homenagem ao Coronel Júlio César de Cerqueira Leite, figura importante da política e da educação local. A sugestão partiu do então presidente da República, Manuel Ferraz de Campos Salles, em reconhecimento aos esforços do político itatibense para viabilizar a implantação da escola.
Nascido em Campinas em 1845, Júlio César veio ainda jovem para Itatiba, aos 16 anos, a convite do cunhado João Batista Passos. Em 1871, casou-se com Francisca Andrade de Paula Vianna, filha do fazendeiro Francisco Antônio de Paula Vianna. Dois anos depois, fundou o Partido Republicano em Itatiba e exerceu mandatos como vereador entre 1877 e 1888.
Sua influência política e amizade com Campos Salles foram decisivas para a criação do primeiro grupo escolar da cidade. O historiador Luís Soares de Camargo destaca ainda a atuação do tenente-coronel Eduardo Alves de Moura, advogado, fazendeiro, vereador e Intendente de Itatiba entre 1890 e 1898, que trabalhou ao lado de Júlio César para garantir a aprovação do projeto da nova escola.
Patrimônio histórico
O prédio do Grupão foi projetado pelo arquiteto José Van Humbeeck e segue o padrão arquitetônico das escolas da época, com salas distribuídas ao redor de um claustro central. Os porões em arcos também preservam antigas técnicas de construção utilizadas no início do século XX.
Ao longo das décadas, o edifício passou por importantes reformas. Em 1960, durante a gestão da professora Ivony de Camargo Salles, a unidade recebeu sua primeira grande modernização, com substituição dos antigos janelões por vitrôs basculantes e troca do assoalho original. Já em 1998, o espaço passou por completa restauração, incluindo cobertura do pátio interno, implantação de rampa de acesso e construção de um anfiteatro.
Além da relevância educacional, o prédio também teve papel importante na saúde pública do município. Durante as epidemias da Gripe Espanhola, em 1919, e da Febre Tifóide, em 1954, as aulas foram suspensas e o local serviu de alojamento para centenas de doentes.
Reconhecido como patrimônio histórico, o prédio é protegido pela Lei Municipal nº 3.418, de dezembro de 2000. Em 30 de agosto de 2002, também foi tombado pelo Condephaat, órgão estadual responsável pela preservação do patrimônio histórico, artístico e cultural paulista.