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Entre Sonhos e Sacrifícios: A rotina de uma mãe que trocou a carreira para acompanhar os filhos no tênis

Especial Dia das Mães

Por Redação

Foto: Arquivo Pessoal

A vida de mãe já exige dedicação intensa. Mas, para a dentista Lia Carlla Rela Puccinelli Monte, a maternidade ganhou contornos ainda mais desafiadores quando os três filhos passaram a trilhar o caminho do esporte de alto rendimento. Entre treinos, viagens, campeonatos e estudos, ela decidiu colocar a própria carreira em segundo plano para acompanhar de perto os sonhos de Dante, Felipe e Francisco de se tornarem jogadores profissionais de tênis.

A relação da família com o tênis começou ainda cedo, por influência do pai, Glauco Puccinelli Monte, que praticava o esporte. Segundo Lia, o primeiro contato aconteceu quando Dante ganhou sua primeira raquete ainda com um ano de idade. “Ele amou ficar rebatendo a bolinha e depois começou a bater muito na parede. Colocamos ele na RR Tênis, em Itatiba, e logo vimos que ele gostava de competir”, relembra.

Com apenas seis anos, Dante conquistou o primeiro título pela Federação Paulista de Tênis, sinalizando que o esporte poderia se transformar em algo maior. A partir dali, vieram competições mais fortes, viagens e novos desafios. O mesmo caminho foi seguido pelos gêmeos Felipe e Francisco.

Rotina intensa

Hoje, a rotina da família é marcada por deslocamentos constantes entre Itatiba, Campinas e até outros países. Lia conta que os dias começam cedo e terminam cedo, sempre em função da preparação esportiva dos filhos.

“É uma vida atarefada, onde eu me desdobro entre Campinas, Itatiba e demais países do mundo. Muitos acham uma loucura, mas eu amo estar nessa jornada com eles”, afirma ela durante entrevista ao Jornal de Itatiba.

Para conseguir acompanhar os filhos de perto, Lia precisou tomar decisões importantes na vida profissional. Dentista de formação, ela já havia interrompido os atendimentos quando os gêmeos nasceram. Agora, voltou a reduzir drasticamente a atuação na profissão para seguir os filhos nas competições.

“Eu gosto de viajar junto com eles, principalmente porque o Dante ainda era muito novo quando começou a disputar torneios internacionais. Muitas vezes eu julgava ser muito distante ou perigoso para ele estar sozinho. Achei que eu fosse a companhia ideal para ele não se sentir sozinho tão longe”, conta.

Atualmente, Lia atua como diretora do competitivo de tênis da Hípica de Campinas, mas admite que grande parte da vida passou a girar em torno da rotina esportiva dos filhos. “Hoje eu penso mais na rotina deles do que na minha própria rotina”, resume.

Derrotas, aprendizado e união familiar

Apesar das conquistas, a caminhada também é marcada por momentos difíceis. Entre eles, deixar o marido em casa em algumas viagens, perder aniversários e abrir mão de celebrações familiares importantes.

Mas Lia acredita que o esporte ensina valores fundamentais para a formação dos filhos. “Escolhemos o esporte porque ele molda a vida de uma criança. Ensina a lidar com frustrações, a viajar sozinho, a ser do mundo. Ganhar todos querem, mas o valor está na jornada”, destaca.

Ela afirma que o principal ensinamento dentro de casa vai muito além das quadras. “Procuro ensinar a ser uma boa pessoa acima de um bom tenista. Primeiro vem a família, educação, respeito, amizade e lealdade. Depois vem o tênis”, ressalta.

Emoção com Wimbledon

Um dos momentos mais marcantes da trajetória da família aconteceu recentemente, quando Dante conquistou a classificação para disputar o tradicional The Championships Wimbledon na categoria sub-14.

Lia admite que sempre acreditou no potencial do filho, mas descreve a conquista como uma explosão de emoção. “Quando ele venceu, eu dei um grito, coisa que eu nunca tinha feito. Parecia um alívio de ver que até aqui a gente conseguiu nosso objetivo”, relata.

Ela também guarda na memória momentos de superação dentro das quadras, como partidas disputadas por Dante mesmo com febre alta, virose e câimbras. “Ele realmente não desiste. Vejo que será um ser humano que saberá viver na adversidade quando tiver um objetivo”, afirma.

Orgulho no Dia das Mães

Às vésperas do Dia das Mães, Lia diz que o maior orgulho é enxergar a união entre os três filhos e perceber que, em meio à rotina intensa do esporte, eles continuam valorizando a convivência familiar e as brincadeiras simples da infância.

“Os pequenos me emocionam muito jogando duplas, porque parece que eles se entendem desde a barriga. E sobre o Dante, vejo que estamos no caminho certo. Hoje essa geração vive muito no celular e vejo meus filhos gostando do esporte, brincando na rua. Acho que estou ensinando eles a viver como antigamente”, conclui.

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