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Por Marcio

Caminho da Fé – parte 5: Trezentos e dezoito quilômetros que te levam à Aparecida

Na foto, chegada na cidade de Consolação depois de 32 quilômetros de peregrinação

Por Marcio

Fotos: Arquivo Pessoal

Por Marcio Egidio

O tempo e temperatura mudaram bastante após a forte chuva que caiu na noite e madrugada de sábado para domingo enquanto pernoitávamos na Pousada Dona Vilma, na fazenda Velha, em Estiva. O dia 19 de outubro, sexto de peregrinação, amanhecia totalmente diferente até então, com muita umidade, baixa temperatura e vento gelado, felizmente, sem chuvas.

Deixamos Fazenda Velha sentido a área urbana de Estiva, antes, nosso primeiro desafio tendo que superar o Pântano dos Teodoros, uma área montanhosa, com uma descida vertiginosa, morro abaixo e uma subida quase que desumana com quase 250 metros de ganho de elevação e 2,5 quilômetros de boa pernada.

Ao vencer, nos deparamos com uma paisagem surreal mostrando de onde viemos, o quanto descemos e posteriormente subimos para poder ter aquela belíssima visão que merecia uma bela moldura. Após contemplarmos, fizemos nosso primeiro descanso no alto do morro, na Capela Beato Padre Donizetti.

Padre Donizetti teve sua história ligada a cidade de Tambaú onde foi pároco por 35 anos. Nascido em 3 de janeiro de 1882, foi ordenado padre em 1908 e faleceu posteriormente, aos 79 anos, em 16 de junho de 1961 tendo seu corpo sepultado no cemitério municipal da cidade.

Em 2009 seus restos mortais foram transladados ao Santuário de Nossa Senhora Aparecida na cidade de Tambaú e, em 23 de novembro de 2019, Padre Donizetti Tavares de Lima foi beatificado levando milhares de fiéis ao Santuário em Tambaú.

PASSARELA DA FERNÃO

Chegando a Estiva a passagem foi bem rápida, suficiente para um lanche e reposição de suprimentos já partindo em direção à cidade de Consolação. Ainda na área urbana, passamos pela passarela que atravessa a Rodovia Fernão Dias (BR-381) que liga São Paulo à Belo Horizonte.

Nessa hora a mente vai longe, pois saímos de Águas da Prata, região de São João da Boa Vista e, dias depois, passávamos pela Rodovia Fernão Dias, portanto, já havíamos percorrido 143 dos 318 quilômetros da peregrinação, todos em perfeitas condições físicas, graças a Deus e a Nossa Senhora!

Deixamos a área urbana da “Terra dos Morangos” e adentramos novamente em área rural na expectativa de chegarmos em Consolação, porém, também aguardávamos nosso encontro com a Serra do Caçador, cerca de 17 quilômetros adiante.

Antes, uma parada obrigatória para quem faz o Caminho da Fé. A visita à Capelinha na chácara São Bento. O lugar emana paz e é um ótimo ponto de descanso, além disso, se o peregrino der sorte, pode encontrar com o Júnior Marques, que faz um trabalho voluntário belíssimo no Caminho, sempre com uma palavra de fé e esperança que nos leva a outro nível de espiritualidade. Infelizmente, esse ano não conseguimos encontra-lo.

SANTO SUDÁRIO

Na altura do quilômetro 170, o peregrino se depara com a Capela do Santo Sudário, administrada por Francisco, um entusiasta no assunto. Acredita-se que o Sudário tenha sido a mortalha fúnebre de Jesus Cristo. O tecido apresenta uma imagem em negativo de um homem com ferimentos compatíveis com os da crucificação, como feridas de flagelação, coroação de espinhos e um furo no lado.

O Santo Sudário original segue guardado na Catedral de Turim, na Itália. Francisco detém uma cópia muito fiel à original e, numa palestra de poucos minutos, consegue nos passar todas as informações referente a peça e, principalmente, nos mostra o flagelo que Jesus sofreu sendo impossível não se emocionar, no meu caso, chegando facilmente às lágrimas.

A SERRA

A Serra do Caçador fica na altura do quilômetro 168 do Caminho. Uma abrupta mudança de altitude de 192 metros morro acima com três quilômetros de extensão. O trecho todo é pesado, mas, a coisa piora muito no final até a chegada no mirante da serra exigindo muito fisicamente, principalmente das pernas e do cárdio num modo geral.

A paisagem novamente detona qualquer resquício de cansaço da subida e aqui vale um a parte, pois, nenhuma máquina ou câmera fotográfica por mais moderna e tecnológica consegue superar a visão humana com tudo o que a natureza proporciona no local. É simplesmente surreal!

Outra pausa para um lanche e pernas no Caminho já que ainda restavam cerca de dez quilômetros até a cidade de Consolação. Findamos cerca de 32 quilômetros por volta das 16h sendo esse, até então, o dia mais longo e cansativo até o momento.

Ficamos hospedados na Pousada Dona Elza, que hoje é administrada pela sua irmã Idineia e seu esposo José. Uma estadia maravilhosa com direito a jantar com lindas canções interpretadas por José e seu violão, com Carlão aproveitando para soltar a voz.

PARAISÓPOLIS LOGO ALI

Caminho da Fé – parte 5:  Trezentos e dezoito quilômetros que te levam à Aparecida

Travessia da passarela da Rodovia Fernão Dias em Estiva com destino à Consolação

Na segunda, bem cedo, tomamos nosso café e deixamos a pequena e bonita cidade de Consolação e seus pouco mais de 1.500 habitantes, de acordo com o Censo de 2022, rumo à Paraisópolis, bem maior com cerca de 20.500 habitantes segundo o Censo do mesmo ano.

A primeira parte do trecho é sob asfalto, longos quilômetros até entrarmos em uma área particular de fazenda. O detalhe que, nesses cerca de oito ou nove primeiros quilômetros é tudo muito plaino e, com isso, a caminhada rende bastante.

Já na segunda parte o “bicho pega” conforme vamos chegando mais próximo as montanhas. São vários morros íngremes que vão minando as energias aos poucos. O mais severo deles é conhecido como subida do Machadão, com seus pouco mais de 3,2 quilômetros que judiam muito com inclinações ora maiores, ora menores, porém, num subir constante até o topo.

A chegada na Capela de Nossa Senhoras das Graças anuncia o fim da subida. Expectativa de descida para concluir nossa chegada restando ainda pouco mais de cinco quilômetros num total de 22 quilômetros saindo de Consolação.

Um vento muito forte persistia em nos acompanhar durante o caminho, ora nos jogando em frente, ora atrasando nosso lado já que as rajadas chegavam a incomodar e confesso nunca ter passado por essa situação fazendo o Caminho da Fé.

Como tudo que sobe, uma hora tem que descer, seguimos adiante, agora morro abaixo para cumprir os cerca de cinco quilômetros até a cidade. Mas ainda pudemos apreciar a bela imagem de Nossa Senhora Aparecida construída no Rancho do Tio Lauro, outro ponto de apoio na altura do quilômetro 140.

SETA AMARELA

Caminho da Fé – parte 5:  Trezentos e dezoito quilômetros que te levam à Aparecida

No Restaurante e Pousada Seta Amarela paramos para compras, descanso e algumas fotos. Caio escolheu posar ao lado das imagens de Cristo e da Virgem Maria

A ventania continuava e a expectativa de chegada aumentava. Seguindo descendo tivemos a primeira visão do famoso complexo da Pedra do Baú ainda na longínqua cidade de São Bento do Sapucaí, ao qual veríamos mais de perto, porém, somente dois dias depois sendo que falaremos mais sobre ela nos capítulos adiante.

Para finalizar, uma parada obrigatória no Restaurante e Pousada Seta Amarela. Lá o peregrino encontra tudo, desde pouso, alimentação, suvenirs, presentes para amigos e familiares como camisetas, meias, imagens, terços, cajados, um “shopping” completo em peregrinação, tudo alusivo a seta amarela, referência principal do Caminho da Fé.

Com um portal maravilhoso para fotografias, nosso grupo não resistiu e fez questão de registrar a passagem, inclusive, diante da nova imagem de Jesus Cristo na cruz do calvário sendo assistido pela Virgem Maria.

Compras feitas, energias restabelecidas, pé na estrada e finalmente chegamos à acolhedora cidade de Paraisópolis. Nosso destino final foi a praça central da cidade onde dona Jandira e sua equipe já nos aguardava na Pousada da Praça com chegada por volta das 14h.

Teríamos muito tempo para descanso e até para um passeio na área central da cidade e foi o que fizemos depois de muito bem instalados e de banho tomado. Saímos para almoçar e curtir a nova localidade, com direito a uma visita a Paróquia de São José, na Praça Presidente Vargas, onde estávamos instalados, ao recém reformado Mercadão Municipal aproveitando, inclusive, para comprar touca e luva já que a previsão era de mais frio, principalmente na região da Serra da Luminosa, que se aproximava a cada dia.

Turismo feito, jantamos e nos recolhemos já que o dia seguinte nos levaria até o início da grande Luminosa e isso começava a dar um certo receio nos mais novos, como Carlão e Caio. Mas essa é uma outra história...

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