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Por Redação

Após chegar ao topo da montanha mais alta da Bolívia, Aretha Duarte segue sua jornada socioambiental

Primeira mulher negra latino-americana a chegar ao topo do Everest, ativista e uma das novas lideranças ESG no Brasil, montanhista alerta para o problema do lixo nas expedições

Por Redação

Foto: Samuel Oscar Belarmino / Divulgação

Toda escalada é um processo. Não se chega da base ao cume de uma só vez. É preciso avançar, etapa por etapa, até o “ataque” final rumo ao topo. Aretha Duarte sabe bem disso. Após liderar a Expedição Sajama, na qual guiou um grupo de brasileiros por quatro montanhas bolivianas – Huisalla (5.000 metros de altitude), Acotango (6.077 metros), Parinacota (6.290 metros), além do próprio Sajama, o pico mais alto do país, a 6.542 metros – ela pensa no futuro. Um futuro de desafios pessoais e coletivos.

“Fiquei feliz por realizar sonhos e por saber que todos os clientes e guias estão bem, seguros, mas com uma pulga enorme atrás da orelha, tentando encontrar uma solução para o problema com o lixo. Na Expedição Sajama, procuramos usar material reciclável e ecologicamente correto. E cuidamos do nosso lixo”, comentou a montanhista, primeira mulher negra latino-americana a chegar ao topo do Everest, ativista socioambiental e uma das novas lideranças do movimento ESG no Brasil, que tem o apoio de empresas do porte de Moove, Decathlon e Veolia.

“O descarte de resíduos é um problema recorrente nas vias de escalada. Já vi muito lixo e sujeira deixados por alpinistas ao longo do caminho de subida e descida em praticamente todas as montanhas que escalei e acredito que isso precisa mudar. Na Bolívia, isso também ficou evidente no Vilarejo Sajama. Estou realinhando as ideias para encontrar soluções para aquele povoado tão acolhedor, que nos deu suporte durante nossa escalada. E, claro, a motivação para colaborar na mudança para um mundo mais limpo e sustentável também está nas comunidades brasileiras”, afirmou a montanhista, que nasceu e ainda vive na periferia da cidade de Campinas.

Doc EESG e produtos Ecodesign - Ciente de que ninguém faz nada sozinha, Aretha tem se unido a pessoas e parceiros em sintonia com seus ideais. Principal apoiadora de Aretha desde a Expedição Everest, a Moove se envolveu diretamente nas ações da montanhista no Sajama. Por conta dessa parceria, ela contou com a companhia de um filmmaker especializado em montanha durante toda a jornada na Bolívia. O resultado será o mini doc EESG (sigla referente a questões ambientais, sociais, econômicas e de governança), patrocinado pela Moove - empresa do Grupo Cosan – detentora dos direitos de produção, distribuição e comercialização dos lubrificantes Mobil no Brasil e de outras marcas em mais de 10 países das Américas e Europa, nos mais variados segmentos como agrícola, aéreo, naval e industrial. “Quero agradecer a Moove por acreditar no meu propósito e nas minhas jornadas de diversidade e inclusão, empoderamento das mulheres negras e de profundas transformações socioambientais, desde o Everest”, comentou Aretha.

Durante a escalada, Aretha utilizou equipamentos desenvolvidos para entregar desempenho ao atleta, com responsabilidade ambiental. “Para mim, é fundamental saber a origem dos produtos. Na Expedição Sajama, usei a linha Ecodesign, da Decathlon, cuja fabricação reduz ao máximo a utilização de recursos naturais, com menos água no tingimento, por exemplo, menor dependência de matérias primas, como petróleo, e aproveitamento de reciclados, como garrafas pet. As peças mantém a qualidade, o conforto e incorporam uma abordagem ecológica responsável e engajada”, explicou.

Escalada emblemática - O grupo de brasileiros atingiu o cume do Vulcão Sajama, o ponto mais alto da Bolívia no dia 25 de julho. “Essa escalada teve um sabor ainda mais especial porque conquistamos nosso objetivo em um dia que é emblemático para mim, pois foi no Dia Internacional da Mulher Afro-latino-americana e Caribenha. Que este Cume sirva para mostrar, mais uma vez, que nós temos o Poder Interno Bruto para ocupar os lugares que quisermos. Poder usar da minha voz e da minha influência em prol da luta e resistência da mulher negra contra a opressão de gênero, o racismo e a exploração de classe não é apenas uma honra, mas sim um dever”, comentou.

Aretha complementou: “Convido todos a abrirem suas mentes para fazer uma reflexão e, principalmente, pensar nas ações que podemos realizar para que essa pauta continue e se fortaleça cada vez mais. Quais atitudes que como pessoa, profissional, pai, mãe, empresa podem nos mover para ajudar a reverter o racismo estrutural e a neutralizar a misoginia em nosso país. Não há dúvida de que a violência e a invisibilidade da mulher negra ainda são uma dura e triste realidade no Brasil. Vamos pensar e agir juntos.”

Vencendo o Sajama – Entre as quatro montanhas da expedição liderada por Aretha Duarte, o maior desafio era o Sajama. No trajeto até o cume, o grupo de brasileiros enfrentou longos trechos de areia com rochas vulcânicas, gelo e neve, o que exigiu cuidado e atenção para evitar acidentes. “Chegamos exaustos, porém, muito felizes com nossa capacidade de conseguir lidar com as adversidades, performar em altíssimo nível, realizando as escolhas mais conscientes ao longo do caminho e ter um resultado de sucesso em segurança acima de tudo”, disse Aretha.

A líder da expedição operada pela Grade6 no grupo composto por cinco brasileiros - quatro homens e uma mulher - reconhece o esforço mental, físico e emocional de todos. “Houve uma conexão incrível entre todos os participantes. Desde a reunião de briefing, já foi explicado que ali seríamos uma família, e o pessoal realmente criou uma relação bastante harmoniosa e respeitosa. Entendemos que o grupo era heterogêneo quanto à experiência em montanhismo e, por isso, fomos montanha a montanha, entendendo nossas dificuldades, crescendo e nos superando em cada desafio. Com o apoio e suporte de todos, o grupo se desenvolveu e pôde alcançar seus objetivos pessoais e da equipe em segurança”, finalizou.

Próximos desafios – Movida a desafios, Aretha fez do Sajama parte de seu projeto de escalar os Sete Cumes Andinos, compostos por Ojos del Salado (6.891 metros, no Chile), Monte Aconcágua (6.962 metros, na Argentina), Nevado Huascarán (6.768 metros, no Peru), Vulcão Chimborazo (6.310 metros, no Equador), Nevado de Huila (5.700 metros, na Colômbia), Pico Bolívar (4.980 metros, na Venezuela), além do Sajama. Destes, Aretha já escalou o Aconcágua e o Vulcão Chimborazo.

Sobre Aretha – Nascida e criada na periferia de Campinas, Aretha é formada em Educação Física e acumula experiência de mais de uma década no montanhismo. Já praticou o esporte em oito países. Além do Everest, escalou o Aconcágua, na Argentina (cinco vezes), o ponto mais alto fora do Himalaia, e o Monte Kilimanjaro, maior montanha da África, além Elbrus (Rússia), Monte Roraima (Venezuela), Pequeno Alpamayo (Bolívia), Vulcões (Equador), entre outros.

Aretha conheceu a modalidade na faculdade, aos 20 anos, quando um professor da PUC de Campinas, quis apresentar esportes outdoor para os alunos do curso de educação física e os levou até a Grade6, operadora de montanhismo. Lá ela entendeu mais sobre como funciona o esporte e se apaixonou. “Fiquei pensando: 'como nunca tinha ouvido falar neste tipo de esporte antes?'", contou.

Entusiasmada, Aretha tentou se aproximar da empresa, fazendo cursos de escalada em rocha. Trabalhou de modo eventual em eventos corporativos, para em 2011 ser efetivada. A empresa faria a primeira expedição comercial ao Everest. Carlos Santalena e Rodrigo Raineri, na ocasião sócios e guias da Grade6, levariam os clientes para a montanha e convidaram Aretha para fazer parte do quadro de funcionários. "Daí em diante, comecei a praticar escalada, trekking e expedições. Em janeiro de 2012 fui pela primeira vez à alta montanha, no Aconcágua. Estive cinco vezes lá, quatro delas atingindo o cume de 6.962 metros. Desde então, ao menos uma vez por ano realizo expedições em altitude."

Parceiros – Desde a Expedição Everest, Aretha Duarte já trabalhou com as seguintes marcas: Magalu, Veolia, Loft, Ifood, Sebrae, Decathlon, Amazon, ICXP, Ford, YPO, Fazenda Futuro, BrasilPrev, SulAmérica, Dell, Stilingue, Unimed, CONGREGARH 2020, Abbvie, Patagonia, Fleury, Puc Campinas, Grupo Boticário, Carrefour, Sympla, Moove, entre diversas outras empresas de porte expressivo.

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