9 de Julho em Itatiba
Na foto, Jornal “A Gazeta” do dia 12/08/1932. No centro da foto vemos Joaquim Bueno de Campos, “Nho Quim Bueno”, e na última fileira, às direita o Cel. Francisco Rodrigues Barbosa “Chico Peroba.”
Por Luis Soares de Camargo
A Revolução Constitucionalista de 1932 produziu diversas interpretações. Uma delas, a mais exagerada, dizia que São Paulo pretendia se separar do Brasil, o que não era verdade. Uma outra, mais próxima da realidade, nos fala de uma luta pela redemocratização do país que estava sob o comando de Getúlio Vargas desde a Revolução de 1930 e com a constituição suspensa.
Em Itatiba, houve muita movimentação. Não tivemos combates na cidade, ao contrário do que ocorreu em Bragança e Jundiaí, que foram bombardeadas, e Amparo, onde ocorreram vários confrontos.
Mesmo assim, os itatibenses se mobilizaram. Voluntários foram para as frentes de batalha, muitas doações seguiram para os soldados e associações foram fundadas a exemplo da “Casa do Soldado de Itatiba” que muito auxiliou na chamada “Guerra Paulista”.
Logo que o conflito se iniciou, exatamente no dia 9 de Julho de 1932, houve uma grande movimentação na cidade, e no dia 12 foi realizado um comício na Praça da Bandeira. Um comunicado foi redigido com a seguinte frase: “ITATIBA está de pé por São Paulo e pela constitucionalização rápida do país!” Alguns dias depois, e mais organizado, houve um segundo comício que muito repercutiu na imprensa paulista como atesta a matéria publicada no jornal “Folha da Manhã” do dia 15 de julho de 1932:

Como líderes deste movimento estavam vários políticos e fazendeiros, a exemplo de Francisco Rodrigues Barbosa, Antônio Alves Lanhoso, Evaristo Silva, Antenor Moreira, Benedito de Godoy Moreira, Antônio Andreatta e Alexandre Barbosa, dentre outros. Imediatamente as estradas foram franqueadas às tropas que se dirigiram à Bragança e Amparo, e aviões de guerra sobrevoavam constantemente os céus de Itatiba. Campanhas de arrecadação de alimentos foram realizadas e as indústrias da cidade também enviaram donativos, a exemplo da indústria de fósforos, como podemos ver na notícia publicada no jornal “A Gazeta” do dia 20 de julho de 1932:

Dentre os voluntários itatibenses que atuaram diretamente na guerra, conhecemos pelo menos 4 deles: Alexandre Degani, Júlio Paiva, Alarico Franco e Joviano de Godoy, mas tivemos outros combatentes.
Na verdade, sabemos desses soldados porque havia uma comunicação dos seus familiares que estavam em Itatiba preocupados com a falta de notícias no front:

A Gazeta 12/08/1932

A Gazeta 01/09/1932
Na política, o então prefeito Joaquim Bueno de Campos engajou-se na campanha, enquanto os prefeitos interinos Dr. Luiz de Mattos Pimenta e Francisco Alves Cardoso, solicitaram exoneração para participar dos esforços de guerra. Francisco Alves Cardoso, por exemplo, em conjunto com Antônio João Batista Andreatta, lideraram uma campanha que arrecadou 1:610$000 Réis para a aquisição de capacetes de aço
Itatiba, portanto, teve uma grande participação na guerra que perdurou 87 dias: de 9 de julho a 4 de outubro de 1932, que resultou na derrota de São Paulo. Segundo cálculos oficiais, a guerra causou 934 mortos, embora outras estimativas apontem até 2.200.
Através da Lei nº 448 de 1961, foi instituído o “Dia do Constitucionalista em Itatiba”, a ser comemorado anualmente no dia 9 de julho e, em razão da Lei nº 4.727 de 2014, uma praça na Av. da Saudade foi denominada como “Praça do Soldado Constitucionalista.”

Tropas em Bragança Paulista. Acervo “Guardiões de 32”

Tropas de Jundiaí, onde atuou o itatibense Alexandre Degani. Acervo Prof. Maurício Ferreira