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Política
Por Agência Estado

Brasil não tem mesma capacidade de endividamento de um país rico, diz Mansueto

Por Agência Estado

O secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, ressaltou nesta terça-feira, 19, que o Brasil não tem a mesma capacidade de endividamento de um país rico.

Nesse contexto, ele defendeu a continuidade da agenda de reformas no pós-crise e pregou cautela nas discussões sobre ampliação de gastos sociais. Segundo o secretário, o Brasil já tem um Estado muito grande, e o investidor não tem no governo brasileiro a mesma confiança depositada num país como os Estados Unidos ou a Alemanha, que conseguem vender títulos de longo prazo com juros negativos.

"Isso não existe no Brasil", afirmou. "Pra eu vender título de dez anos no Brasil tenho que pagar de 8% a 9% ao ano.

É menos do que nos últimos anos, mas é muito alto", afirmou Mansueto.

Ele acrescentou ainda que os agentes que demandam esse tipo de papel (estrangeiros e fundos de pensão) já estavam mais retraídos antes mesmo da crise e, por isso, o Brasil não tem conseguido colocar muito desses papéis no mercado."Em títulos com prazo a partir de três anos, o prêmio cobrado já é muito alto", explicou. Reformas O secretário do Tesouro Nacional alertou que, se o governo e o Congresso falharem na condução das reformas no momento após a crise do novo coronavírus, "o Brasil terá problemas".

Segundo ele, é preciso sinalizar compromisso com o controle dos gastos do governo para dar indicações claras de solvência do País e, assim, continuar atraindo a confiança dos investidores.

Para isso, o secretário vê necessidade de "bom diálogo político". "A gente tem que se esforçar para melhorar esse País", afirmou Mansueto em videoconferência promovida pela Câmara de Comércio França-Brasil.

"Precisamos fomentar diálogo político e respeitar contraditório.

Para fazer reformas, é preciso bom diálogo político", acrescentou. Ao comentar as dificuldades de aprovar uma reforma tributária - tema que será prioritário após a crise, em sua visão -, Mansueto disse que o Brasil precisa de um "esforço muito grande" para melhorar o debate político e aprofundar as discussões de forma pragmática para "não ter mais uma decepção".

"Não é questão técnica, é questão política", afirmou.

"Diagnóstico todo mundo faz, o que tem que fazer é mais ou menos claro.

Agora a gente precisa ter ambiente político que permita às pessoas conversarem, dialogarem para se tentar construir algum consenso.

Se a gente conseguir, esse País tem tudo para crescer.

É um País que tem estrutura produtiva diversificada, tem uma rede de assistência social ampla, não tem nenhuma grande convulsão social quando a gente compara com outros países.

Agora, se a gente falhar, o Brasil terá problemas." Mansueto disse que a trajetória da dívida brasileira ficará dependente do que o País conseguir fazer de reforma e de privatizações no pós-crise, e é justamente essa variável que preocupa o secretário e está no radar dos investidores.

Neste ano, a dívida bruta deve chegar à casa dos 90% do PIB com os gastos de contenção aos efeitos da crise.

A previsão de déficit primário em R$ 600 bilhões foi classificada de "otimista" pelo secretário, que já admite um rombo mais próximo de R$ 700 bilhões em 2020.

O déficit nominal, que inclui a conta de juros, se aproximará dos 13% do PIB. Mesmo assim, o mais importante é o depois, segundo o secretário.

"O que me preocupa não é nível da dívida, mas a trajetória.

Ninguém sabe qual é a perspectiva de crescimento do Brasil no pós-crise, mas também não está dado", acrescentou, indicando que o País pode trabalhar para ter um arranque melhor após o momento de dificuldade. "Se tivermos potencial de crescimento maior, o custo da crise será pago gradualmente", disse Mansueto.

"O mundo vai sair dessa crise em busca de boas oportunidades de investimento.

Se o Brasil conseguir fazer reformas e sinalizar bom retorno, o investimento privado vem", acrescentou. Captação O Tesouro Nacional poderá emitir títulos da dívida soberana no mercado externo caso necessário e se surgir a oportunidade, disse o secretário do Tesouro Nacional.

Embora não tenha falado de nenhum leilão concreto, ele fez questão de ressaltar que o mercado externo está aberto ao Brasil.

"Não temos nenhum problema de captação externa", garantiu em videoconferência promovida pela Câmara de Comércio França-Brasil.

"Se necessário e se surgir oportunidade, podemos fazer captação, seja em dólar, seja em euro." Mansueto disse que o Tesouro não costuma pré-anunciar essas operações, mas admitiu que a captação externa é uma possibilidade no radar do governo.

"Temos fundamentos sólidos", ressaltou o secretário, destacando ainda o colchão de reservas cambiais do Brasil.

"Temos condições (para ir ao mercado externo), mas temos de esperar.

Em algum momento podemos ir ao mercado externo", afirmou.

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